AP Photo/Evan Vucci
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Em resposta a secretário, Trump diz que tem 'direito' de interferir no Departamento de Justiça

Na quinta, William Barr disse que mensagens do presidente estavam inviabilizando seu trabalho

Michael D. Shear / The New York Times, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 13h59

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 14, que tem o direito legal de intervir em casos de crimes federais. A declaração ocorre um dia após o secretário de Justiça dos Estados UnidosWilliam Barr, ter reprovado o presidente pelos ataques contra procuradores do Departamento de Justiça e outros envolvidos no caso de Roger Stone, consultor político e amigo de longa data de Trump. 

Em uma mensagem nesta manhã, Trump citou declarações de Barr dizendo que o presidente "nunca havia pedido nada em um caso criminal". O presidente afirmou que "escolheu até este momento" não interferir em processos criminais, embora acredite que não esteja legalmente obrigado a fazê-lo. "Isso não significa que eu não tenha, como presidente, o direito legal de fazer isso, mas até agora optei por não!", escreveu. 

Embora ambos tenham dito que o presidente não interferiu diretamente em nenhuma investigação específica, Trump pressiona há muito tempo autoridades a abrir investigações sobre rivais políticos e a desistir de investigações contra aliados. Trump também pressionou o ex-procurador geral Jeff Sessions para retomar o controle da investigação na Rússia depois que ele deixou essa apuração. 

'Tenho problema com tuítes'

Na quinta, o secretário de Justiça acusou Trump de inviabilizar seu trabalho. "Tenho problema com alguns dos tuítes. Não consigo fazer o meu trabalho aqui no departamento com constantes comentários que me enfraquecem", afirmou à ABC News. "Acredito que seja a hora de deixar de tuitar sobre casos do Departamento de Justiça".

Em março, Barr deverá testemunhar diante do Congresso sobre a decisão, supostamente sob pressão de Trump, de rejeitar o que foi resolvido por seus próprios promotores e buscar uma sentença de prisão mais leve para o veterano consultor republicano Roger Stone, que foi condenado por mentir em depoimento ao Congresso e manipular testemunhas. Ele é amigo e conselheiro do presidente dos EUA desde a década de 1980.

A afirmação de Trump aumenta a crescente controvérsia sobre a decisão de altos funcionários do Departamento de Justiça de anular promotores que recomendaram uma sentença de sete a nove anos para Roger Stone, condenado por sete crimes em uma tentativa de obstruir uma investigação do congresso que ameaçava o presidente. 

Trump nega que seus tuítes sobre o caso Stone, nos quais critica a sentença original de 87 a 108 meses de prisão dada a Stone e elogia Barr depois que a sentença foi reduzida pela metade, pressuponham interferência política.  

Promotores pedem demissão 

Quatro promotores do departamento pediram demissão na última terça-feira em aparente protesto por interferência política. A Promotoria pediu uma pena de 7 a 9 anos de prisão. A sentença final de Stone, um consultor político de 67 anos, deve ser conhecida no dia 20. 

“Roger Stone obstruiu a investigação do Congresso sobre a interferência russa em 2016, ele mentiu sob juramento. E, quando seus crimes foram expostos, ele mostrou desprezo por esse tribunal e pelas regras da lei. Portanto, deve ser punido”, escreveram os promotores no pedido de sentença. 

Três promotores – Michael Marando, Adam Jed e Aaron Zelinsky – pediram autorização para deixar o caso. O outro promotor, Jonathan Kravis, pediu demissão do Departamento de Justiça. Eles não deram declarações sobre a decisão. 

A saída ocorreu poucas horas depois que o presidente saiu em defesa do aliado no Twitter. “Esta é uma situação horrível e muito injusta. Os crimes reais estavam do outro lado (dos democratas), mas nada acontece com eles. Não se pode permitir esse erro judiciário”, escreveu Trump ao tomar ciência da sentença pedida pelos promotores. 

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