Wakil Kohsar/ AFP
Wakil Kohsar/ AFP

Ataque americano com drones mata dois membros do alto escalão do Estado Islâmico e fere um terceiro

Grupo terrorista havia reivindicado autoria do atentado que matou 169 afegãos e 13 militares americanos na última quinta-feira, 26; Taleban condena operação dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 22h44
Atualizado 28 de agosto de 2021 | 14h18

CABUL - Os militares dos EUA mataram dois membros do Estado Islâmico no Afeganistão e feriram um terceiro em um ataque com drones na manhã deste sábado, 28 (horário local, noite de sexta-feira no Brasil), a primeira ação retaliatória após um ataque no aeroporto de Cabul matar 13 militares americanos e pelo menos 170 outras pessoas. O ataque foi condenado pelo Taleban, que descreveu a operação como um "ataque claro ao território afegão".

O capitão da Marinha Bill Urban, porta-voz militar dos EUA, disse que o alvo era "um planejador do ISIS-K", mas não disse se a pessoa teve um papel na organização ou execução do ataque ao aeroporto. O governo americano não divulgou as identidades dos mortos, mas afirmou que dois deles eram membros do alto escalão da organização.

O Estado Islâmico-Khorasan, ou ISIS-K, assumiu a responsabilidade pelo atentado no aeroporto de Cabul, e o presidente Joe Biden havia dito aos extremistas que as forças dos EUA iriam "caçá-los e fazê-los pagar".

O Taleban disse no sábado que prendeu dois membros do ISIS-K, mas se recusou a fornecer detalhes sobre se eles estavam envolvidos no atentado de quinta-feira. "Eles estão sendo investigados", disse o porta-voz do Taleban, Qari Muhammad Yousaf Ahmadi, ao The Washington Post. 

Vários residentes de Jalalabad, capital da província de Nangahar, na fronteira com o Paquistão, confirmaram um ataque noturno que teve como alvo uma casa no 7º distrito da cidade. Mas os residentes, que foram contatados por telefone, deram relatos conflitantes sobre os danos.

Um morador disse ao Post que um ataque a uma casa no bairro de Naghrak, nos arredores da cidade, matou duas pessoas e feriu outras três. O Taleban não estava permitindo que pessoas se aproximassem do local, disse a pessoa.

A Casa Branca afirma ter indícios de que o grupo planeja outros atentados suicidas. Os EUA e seus aliados têm quatro dias para concluir a retirada de civis e militares do país. Biden foi avisado nesta sexta-feira que deve esperar outro ataque letal nos últimos dias da operação.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que a equipe de segurança nacional de Biden não está otimista. "Eles avisaram o presidente e a vice-presidente que outro ataque terrorista em Cabul é provável, mas que estão tomando medidas de proteção à força máxima no aeroporto", afirmou.

O último voo para retirada de civis do Reino Unido deixou Cabul, disseram autoridades neste sábado. A embaixadora da Grã-Bretanha no Afeganistão, Laurie Bristow, disse que as forças britânicas ajudaram quase 15 mil  pessoas a deixar o país nas últimas duas semanas.

"É hora de encerrar esta fase da operação agora", disse Bristow em um vídeo, "mas não esquecemos das pessoas que ainda precisam ir embora e continuaremos a fazer tudo o que pudermos para ajudá-las."

No início do dia, o general Nick Carter, chefe das Forças Armadas britânicas, lamentou que o transporte aéreo em massa não tenha conseguido resgatar centenas de afegãos que poderiam vir para o Reino Unido.

"Não conseguimos trazer todo mundo e isso foi de partir o coração", disse ele a um programa de rádio da BBC. "Houve alguns julgamentos muito desafiadores que tiveram que ser feitos no terreno."

O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, que havia dito anteriormente que a operação do país terminaria na sexta-feira, estimou que há até 1.100 afegãos elegíveis que "não conseguiram" embarcar nos voos.

Novo governo

O porta-voz do Taleban Zabihullah Mujahid disse que o grupo espera assumir o controle total do aeroporto de Cabul em breve, assim que as forças dos EUA partam, e anunciará um gabinete completo nos próximos dias.

Ele disse que funcionários já foram nomeados para administrar instituições importantes, incluindo os ministérios da Saúde Pública e da Educação e o Banco Central. Ele também disse esperar que a séria turbulência econômica que atingiu a moeda afegã diminua em breve. /AP, WP e REUTERS

 

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