Em retaliação a resgates, piratas somalis capturam 4 navios

Organização de apoio aos marinheiros teme pelo uso da violência contra reféns após morte de corsários

Efe e Associated Press,

14 de abril de 2009 | 07h53

Apesar de recentes operações navais dos Estados Unidos e da França terem resultado na morte de sete de seus companheiros, os piratas somalis que atuam no Golfo de Áden conseguiram capturar quatro navios em apenas dois dias, informaram nesta terça-feira o Birô Marítimo Internacional e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

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O principal troféu obtido pelos piratas do mar foi o M. V. Irene E. M., um imenso navio de carga operado por uma empresa grega que viajava do Oriente Médio para o sul da Ásia, disse Noel Choong, diretor do Birô Marítimo Internacional em Kuala Lumpur, Malásia. O Irene foi atacado e tomado na madrugada desta terça-feira - uma tática raramente empregada pelos piratas somalis que atuam na região.

 

O tenente Nathan Christensen, porta-voz da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, disse que o Irene tinha bandeira da nação insular caribenha de São Vicente e Granadinas e levava a bordo 23 tripulantes filipinos. Choong disse que havia 21 pessoas a bordo. Ainda não foi possível esclarecer a discrepância.

 

Horas depois, piratas a bordo de três ou quatro lanchas rápidas sequestraram o navio libanês M. V. Sea Horse na costa da Somália, disse Shona Lowe, uma porta-voz da Otan. Não há mais detalhes disponíveis até o momento. Enquanto isso, piratas somalis capturaram na segunda-feira duas embarcações pesqueiras egípcias no litoral norte da Somália. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, esses dois barcos têm entre 18 e 24 tripulantes no total.

 

Andrew Mwangura, diretor do Programa de Assistência aos Marinheiros (PAM), que oferece socorro aos marinheiros e ajuda na localização dos navios capturados, a morte dos piratas durante as operações de resgate das forças dos EUA e da França nos últimos dias "exacerbará o modo de ataque dos sequestradores, que pode chegar a níveis muito violentos".

 

Uma frota de navios de guerra de mais de dez países patrulha há meses o Golfo de Áden e o Oceano Índico na tentativa de coibir a ação dos piratas somalis. Essa frota já impediu diversas ações piratas este ano, mas os comandantes advertem que a região é tão vasta que é impossível impedir todos os ataques.

 

Choong disse que os ataques piratas em 2009 já somam 77, sendo que 18 embarcações foram roubadas e 16 barcos com 285 tripulantes a bordo continuam nas mãos dos piratas. Cada navio sequestrado cria para os piratas a oportunidade de exigir um

milionário pagamento de resgate.

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