Leah Millis/Reuters
Leah Millis/Reuters

Em reunião com democratas, Trump tem explosão de raiva e diz que não dialogará sob ameaça 

Presidente se recusou a cumprimentar Pelosi e Schumer e ficou menos de três minutos com eles no mesmo dia em que cresceu pressão para possível investigação para um impeachment

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 15h47

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, deixou abruptamente uma reunião agendada com líderes democratas no Congresso nesta quarta-feira, 22, atacando a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, por acusá-lo de encobrir fatos, dizendo que não trabalhará com eles até que parem de investigá-lo. 

Em seguida, Trump se dirigiu ao Jardim das Rosas onde repórteres o aguardavam e fez um pronunciamento cheio de raiva exigindo que os democratas "superem essas investigações falsas". Segundo o presidente, os líderes democratas não podem legislar e investigar ao mesmo tempo. "Nós vamos seguir por um caminho de cada vez", disse ele. 

A confrontação entre Trump e adversários ocorre em um dia em que cresceu a pressão sobre um possível esforço para buscar o impeachment do presidente. A possibilidade fez subir as temperaturas dos dois lados do espectro político em Washington. 

Pelosi chegou à Casa Branca para uma reunião com o presidente na qual eles deveriam falar sobre infraestrutura logo após ela manter um tenso encontro com democratas na Câmara para falar sobre a possibilidade de impeachment. Ela deixou o encontro com os colegas de partido acusando Trump de "encobrir fatos". 

Quando ela e o senador Chuck Schumer (Nova York), líder da minoria no Senado, chegaram na Casa Branca, Trump estava pronto para a briga. Ele caminhou até a Sala de Gabinete (onde ocorreria a reunião) e não cumprimentou ninguém, nem sentou na cadeira que lhe era reservada, de acordo com um democrata que recebeu informações do encontro. 

Trump disse que sua vontade era conversar sobre os avanços do projeto de lei sobre infraestrutura, de comércio e outras questões, mas Pelosi, segundo ele, havia dito algo "terrível" ao acusá-lo de encobrir fatos, relatou a fonte ao New York Times

Em apenas três minutos, ele deixou a sala antes que qualquer um dos presentes pudesse falar. Dali, ele seguiu direto para o Jardim das Rosas, onde um púlpito estava montado com um cartaz que dizia No Collusion, No Obstruction (sem conluio, sem obstrução, na tradução livre) e começou a fornecer dados com o objetivo de mostrar que ele cooperou com o promotor especial, Robert Mueller III, que conduziu a investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016. 

"Em vez de me conduzir alegremente para uma reunião, eu estava indo para me encontrar com pessoas que tinham acabado de dizer que eu estava encobrindo fatos", disse Trump a repórteres. "Eu não escondo fatos."

"Eu cheguei até a sala e disse ao senador Schumer e à presidente da Câmara, Pelosi: Eu quero trabalhar infraestrutura. Eu quero fazer isso mais do que você. Eu seria muito bom nisso, é o que eu faço. Mas quer saber de uma coisa? Não se pode fazer isso sob essas circunstâncias. Então, superem essas falsas investigações", disse. 

Os líderes democratas retornaram ao Capitólio e expressaram desapontamento, dizendo que eles estavam prontos para alcançar um acordo com o presidente sobre um plano de US$ 2 bilhões para reconstruir estradas, pontes, aeroportos e outras infraestruturas da nação. 

"Ele apenas passou por lá e isso nos deixou preocupados sobre porquê ele fez isso", disse Pelosi. "Eu qualquer evento, eu rezo pelo presidente e rezo pelos EUA." 

Schumer expressou estar em choque com o resultado. "O que aconteceu na Casa Branca faria seu queixo cair", disse o senador. 

Ele sugeriu que o verdadeiro motivo de Trump ter tido essa explosão de raiva na reunião foi por ele não ter uma maneira de pagar pelo enorme pacote de gastos e, portanto, estava procurando por outras desculpas. 

Segundo Schumer, não faz sentido as possíveis investigações terem levado a essa erupção de raiva porque eles já tinham se encontrado antes, no mês passado, para discutir infraestrutura. 

"Hello! Já havia investigações ocorrendo há três semanas quando nós nos encontramos e ele ainda sim se reuniu com a gente", disse Schumer. "Mas agora, quando ele foi forçado a dizer como ele vai pagar por isso, ele nos abandona. E vem com essa desculpa planejada previamente." 

Influência russa

Trump tem manifestado sua frustração com as contínuas investigações nos últimos dias. Em seu relatório, Mueller estabeleceu que a Rússia tentou influenciar a campanha presidencial de 2016 para beneficiar Trump, mas não estabeleceu qualquer conspiração ou coordenação com a campanha do republicano. 

Mueller destacou ao menos uma dúzia de circunstâncias nas quais Trump, como presidente, procurou impedir a investigação, mas não forneceu uma conclusão sobre se esses esforços constituírem obstrução de justiça. 

Em seu pronunciamento no Jardim das Rosas, Trump mais uma vez se defendeu dos relatório acusando democratas de se recusar a aceitar que ele não fez nada de errado. 

Trump prometeu desafiar todas as intimações para depor e requisição de documentos feitos pela Câmara, o que enfureceu os democratas que agora aumentam a pressão para abrir uma investigação formal sobre impeachment. / NYT 

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