Em reunião com Obama, Hollande diz que França sai do Afeganistão em 2012

Em seu primeiro encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o novo chefe de Estado da França, François Hollande, confirmou ontem a retirada de todas tropas de seu país do Afeganistão até dezembro.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h06

Os apelos de Obama para a postergação desse prazo foram respondidos com a promessa de Hollande de prover um apoio "diferente" às forças da coalizão comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e por Washington no Afeganistão e com o argumento de ser a França uma "velha amiga" dos EUA, porém, "independente".

"Eu lembrei ao presidente Obama que fiz uma promessa ao povo francês que nossas tropas seriam retiradas do Afeganistão no final de 2012. Assim, nós vamos continuar a dar apoio ao Afeganistão de maneira diferente e tudo será feito em bom entendimento com nossos aliados da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf)", afirmou, referindo-se à coalizão da Otan, comandada pelos EUA.

"A França é um país independente e cuida de sua independência, mas mantém uma velha amizade com os EUA. Então, é com essa amizade e com essa independência que nossos dois países podem ser mais eficientes quando têm de lidar com nossos atuais desafios", completou o presidente francês, no Salão Oval da Casa Branca, ao final de sua conversa com Obama.

A posição de Hollande foi manifestada logo depois de Obama ter acentuado a concordância de ambos os líderes com o compromisso de ajudar o Afeganistão, a partir de 2015, a construir o sistema de segurança doméstica de Cabul e a se desenvolver.

Essa tarefa, considerada essencial para impedir a retomada de controle do país pelo Taleban, envolverá recursos orçamentários da França, dos EUA e dos demais parceiros da Otan.

Obama havia convidado Hollande para esse primeiro encontro bilateral logo que foi conhecido o resultado da eleição presidencial francesa, no dia 6.

A reunião bilateral estrategicamente ocorreu nove horas antes de Obama abrir a Cúpula do Grupo dos 8 (G-8) em Camp David, e um dia e meio antes da abertura da reunião de Cúpula da Otan, em Chicago.

O posicionamento da coalizão até a retirada total de tropas do Afeganistão, programada para dezembro de 2014, e sua ajuda à segurança desse país no período posterior serão os principais temas em debate pelos chefes de Estado dos países que integram a Otan.

Segundo Tom Donilon, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Obama e o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy mantiveram uma "relação incrivelmente produtiva e construtiva".

"Vamos construir o mesmo tipo de relação com o presidente Hollande", insistiu, mesmo depois de o líder francês rejeitar o apelo de Obama.

Na noite de ontem, Obama e Hollande jantariam com os demais líderes de países do G-8 - Alemanha, Canadá, Itália, Grã-Bretanha, Japão e Rússia.

O recém-empossado presidente russo, Vladimir Putin, não virá para o encontro do G-8 e será representado pelo primeiro-ministro Dmitri Medvedev. A reunião formal do grupo ocorrerá hoje, com foco especial nos dilemas da economia europeia, na situação do aumento de violência na Síria e no possível acordo nuclear entre o P5+1 (EUA, França, Grã-Bretanha, China, Rússia e Alemanha) com o Irã.

Na questão iraniana, EUA e França mostraram-se mais alinhados do que sobre a retirada de forças do Afeganistão. Hollande afirmou ser necessário que o P5+1 se mantenha "firme" no objetivo de extrair de Teerã o compromisso de não buscar um programa nuclear militar.

Sobre Síria, nenhum dos dois comentou publicamente os efeitos das remessas de armas de países árabes - aliados dos EUA e da França - para os rebeldes que combatem o regime de Bashar Assad.

Hollande preferiu dar seu apoio ao acordo opaco extraído na reunião do G-8 na França, em 2011, no qual não houve declaração contundente contra Assad.

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