Kevin Coombs/ Reuters
Kevin Coombs/ Reuters

Em reunião com partido, May admite erro e ganha tempo para Brexit

Primeira-ministra se encontra com bancada após derrota política em eleição geral da semana passada e ganha tempo e apoio para negociar saída britânica da União europeia

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2017 | 19h10

LONDRES - Lutando para manter-se no cargo, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, prometeu nesta segunda-feira, 12, a líderes do Partido Conservador reverter a derrota política a qual foi submetida nas eleições gerais da semana passada e ganhou um respaldo temporário até pelo menos o início das negociações do Brexit, que devem começar na semana que vem. 

“Coloquei o partido nessa bagunça e vou tirá-lo dela”, disse May, segundo deputados presentes no encontro, que durou uma hora no Parlamento britânico. 

Para liderar um governo de minoria ela precisará de todo o apoio do partido. Deserções podem levá-la à renúncia ou um desafio de liderança dentro do próprio partido. 

Apesar disso, os conservadores parecem ter concordado em dar fôlego a May, ao menos por enquanto. Com os ânimos instáveis do eleitor britânico e às vésperas do início da negociação do Brexit, o partido não quer arriscar a realização de uma nova eleição. 

“Não detecto nenhum grande apetite entre os meus colegas de apresentarem ao público uma dose adicional de instabilidade ao nos envolvermos em uma campanha de eleição interna do próprio Partido Conservador”, disse o presidente do partido, Graham Brady.

A estratégia de May de buscar o chamado “Brexit duro”, com a saída do Reino Unido do mercado comum e alfandegário europeu até 2019, no entanto, está sendo contestada pelas lideranças conservadoras, algo que pode reanimar a guerra civil dentro do partido. 

May foi bem recebida pelos deputados do partido e muitos veem a aprovação dela na bancada como um sinal de que ela ganhou algum tempo. “Ela sabe o que está errado e qual o papel dela nesse erro”, disse o parlamentar conservador Alistair Burt. Ainda de acordo com o deputado, no encontro com a bancada, May demonstrou humildade e foco na tarefa de montar um novo governo. “Ela disse o que queríamos ouvir”, acrescentou. 

Em um sinal de que May ainda não reuniu o apoio necessário do Partido Unionista Democrático (DUP) - legenda conservadora da Irlanda do Norte -, o discurso da Rainha Elizabeth II sobre a formação de governo foi adiado. A primeira-ministra precisa dos dez votos do partido para conseguir aprovar as leis no Parlamento. / NYT

 

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