EFE
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Em Riad, Obama busca reforçar aliança com sauditas

(Atualizada às 18h15) RIAD - Antecipado por um clima de tensão e desconfiança, o encontro desta sexta-feira, 28, entre o presidente americano, Barack Obama, com o rei Abdulla, na Arábia Saudita, durou duas horas e teve como principal objetivo garantir a continuidade da parceria entre Washington e Riad, apesar de diferenças entre os dois países com respeito ao acordo nuclear com o Irã, à crise na Síria, o combate do extremismo no Oriente Médio. Esta foi a terceira reunião oficial entre os líderes em seis anos e a primeira desde 2009.

O Estado de S. Paulo ,

28 de março de 2014 | 14h57

Após a reunião, a Casa Branca emitiu um comunicado dizendo que os dois países estavam trabalhando juntos para tratar de questões de interesse comum. "Em seus encontros com o rei Abdullah, em Riad, o presidente Obama reiterou a importância que os Estados Unidos colocam em sua forte relação com a Arábia Saudita, que perdura por mais de 80 anos", disse o comunicado. O texto não diz, porém, se os dois discutiram a questão da direitos humanos no país, que poderia fazer parte das negociações, de acordo com um funcionário do governo americano.

Obama chegou à fazenda de Rawdat Khuraim, a nordeste de Riad, a bordo do helicóptero Marine One para se reunir e jantar com Abdullah. O presidente americano caminhou por um corredor de guardas até uma sala decorada com um grande lustre de cristal e sentou-se próximo ao monarca de 89 anos, que respirava com a ajuda de um tanque de oxigênio. O secretário de Estado, John Kerry, e a assessora de Segurança Nacional, Susan Rice, juntaram-se a eles.

Durante o encontro, a tarefa de Obama era garantir aos sauditas que os EUA não estão abandonando os interesses árabes, apesar da retirada de tropas do Iraque e Afeganistão, de um movimento no sentido de ganhar mais independência de energia e das conversas nucleares com o Irã.

Funcionários da Casa Branca e especialistas no Oriente Médio dizem que a principal preocupação da família real saudita é o Irã. Eles temem o programa nuclear iraniano, são contrários ao apoio iraniano ao regime de Bashar Assad na Síria e supõem que o governo de Teerã esteja cobiçando os campos de petróleo da Arábia Saudita e Bahrein.

O vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, disse que a coordenação com o reino sobre a política da Síria, particularmente sobre a assistência aos rebeldes sírios, tinha melhorado. "Isso é parte da razão pela qual acho que a nossa relação com os sauditas está mais forte hoje do que era no outono, quando tivemos algumas diferenças táticas sobre nosso política na Síria", disse Rhodes a repórteres, no Air Force One. Ele acrescentou que um dos principais temas de Obama e Abdullah discutiriam seria como capacitar a oposição moderada a contra Assad e isolar os grupos extremistas.

Uma área em que Riad e Washington têm se desentendido é a relutância de Obama em suprir os rebeldes com mísseis terra-ar. O jornal americano The Washington Post publicou reportagem em que afirmava que os EUA estavam prontos a aumentar a ajuda secreta aos rebeldes sírios sob um novo plano que incluía treinamento pela CIA e fornecimento dos mísseis.

A Casa Branca não fechou as portas para a possibilidade de implementar o plano, mas disse que sua posição não mudou.

Obama mostrou-se cauteloso em ser arrastado para outro conflito no mundo muçulmano depois de trabalhar duro para acabar ou reduzir o envolvimento militar americano no Iraque e no Afeganistão.

Apesar de a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, fornecer menos petróleo para os Estados Unidos do que no passado, garantir a sua produção e fornecimento de energia continua a ser importante para Washington, assim como sua cooperação na luta contra a Al-Qaeda.

No ano passado, funcionários sauditas alertaram para um grande afastamento de Washington depois de desentendimentos sobre suas respostas à Primavera Árabe e a política em relação a Irã e Síria, onde Riad pede por mais ajuda aos rebeldes. A Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, apoia os insurgentes na sua batalha para derrubar o presidente sírio, que é apoiado pelo rival de Riad, o Irã de maioria xiita./ REUTERS

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