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Em Roraima, secretário de Estado dos EUA ataca Maduro

Nas visitas que fez ao Brasil e à Guiana, mais cedo, Mike Pompeo chamou Maduro de 'traficante de drogas', lembrando acusações que o próprio governo americano fez contra o regime chavista em março

Tulio Kruse / Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 20h06
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 22h58

BOA VISTA, RR - A visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, 18, foi marcada pelo endurecimento no discurso contra o líder venezuelano Nicolás Maduro, mas poucas mudanças efetivas nas estratégias americana e brasileira para conter o líder chavista. Ele e o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, subiram o tom das críticas e fizeram diversas declarações de apoio mútuo na região.

Nas visitas que fez ao Brasil e à Guiana, mais cedo, americano chamou Maduro de "traficante de drogas", lembrando acusações que o próprio governo americano fez contra o regime chavista em março. Araújo acompanhou Pompeo nas críticas e disse que o líder venezuelano deve cair "para o bem dos venezuelanos e de todos".

"Ele não é apenas um líder que destruiu seu país numa crise com as proporções mais extraordinárias na história moderna, ele também é um traficante de drogas, enviando drogas ilícitas aos Estados Unidos e aos americanos todos os dias", disse Pompeo.

Em suas críticas a Maduro, Araújo deixou claro que o governo brasileiro não tem a intenção de mediar a crise entre o governo e a oposição na Venezuela. Ele fez elogios ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, apesar de questionado sobre a efetividade da estratégia de apoiá-lo, o que até agora parece ter tornado a mudança de regime mais provável. Araújo disse que a presidência de Maduro "não é um governo, é um regime criminoso, narcoterrorista."

"Em um conflito você imagina diálogo entre duas partes iguais", explicou Ernesto Araújo. "Não existe isso, você tem um lado repressor e um lado reprimido. Não se trata de uma negociação, o governo Maduro nunca teve boa fé."

O chanceler também disse que a presidência de Maduro "não é um governo, é um regime criminoso, narcoterrorista." Araújo deixou claro, porém, que a estratégia em relação ao país vizinho não mudou, e está baseada no apoio às denúncias que os americanos têm feito contra o regime. Ele comparou a situação venezuelana com o apartheid na África do Sul durante as décadas de 80 e 90. "É preciso uma mobilização internacional, cada vez mais apoiada e motivado por relatórios de direitos humanos."

"O problema é qual é a estratégia de fuga do Maduro, a estratégia de continuar oprimindo o seu povo, e a nossa estratégia é a verdade

A viagem de Pompeo por países da região amazônica foi organizada para demonstrar alinhamento com os países ao redor da Venezuela. Na Guiana e no Suriname, a pressão contra Maduro deu o tom de todas as manifestações de Pompeo em público. Com visita à Colômbia, onde o secretário desembarcou ainda na noite de ontem, ele completa um tour por todos os países com os quais a Venezuela tem fronteiras.

A pressão contra os rivais dos EUA no restante do mundo também vale para a China. Pompeo mencionou que o tema do interesse chinês na instalação de redes da tecnologia 5G foi tratada em sua reunião com Araújo, e que os americanos reforçaram seu apelo para manter as redes de telecomunicação brasileiras "seguras", sem os serviços de empresas chinesas.

Ambiente

O secretário de Estado veio também em socorro à crise de imagem brasileira, em meio aos graves incêndios no Pantanal. Ele anunciou o início de uma cooperação ambiental a partir de outubro. A iniciativa não tem muitos detalhes, mas segundo Araújo terá foco em investimento estrangeiro em iniciativas de desenvolvimento sustentável na região amazônica.

Pompeo foi questionado sobre as vantagens para o Brasil na relação entre os dois países, e evitou dar exemplos de como o País tem se beneficiado da proximidade entre os governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Na semana passada, o Brasil prorrogou por três meses a isenção de tarifas para o combustível a base de álcool americano, decisão que foi mal recebida no setor sucroalcooleiro no País. O americano disse que o relacionamento entre os dois países não se resume a questões pontuais.

"Não é como nossos países pensam", disse Pompeo. "Amigos não trabalham dessa forma, eles não olham para o que um consegue de vantagem em relação ao outro. 

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