Em sabatina tensa, indicado para chefiar CIA defende uso de drones

Entre gritos de ativistas e críticas de senadores, John Brennan justifica uso de aviões não tripulados contra terror

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2013 | 02h06

O presidente dos EUA, Barack Obama, tem passado por constrangimento no Senado em razão das nomeações para seu principal time de colaboradores. John Brennan, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca indicado por Obama para a direção da CIA, enfrentou ontem uma dura sabatina no Comitê de Inteligência do Senado e a incerteza sobre sua aprovação pelo plenário da Casa. Mas ele defendeu que os drones (aviões não tripulados) são meios legais a ser usados contra o terror.

Brennan só conseguiu fazer suas declarações iniciais após a presidente do comitê, a democrata Dianne Feinstein, suspender a sessão para a retirada de manifestantes contrários à nomeação.

"Os EUA continuam em guerra contra a Al-Qaeda e forças associadas a ela, que ainda pretendem realizar ataques mortíferos contra nosso país", defendeu-se. "O presidente tem insistido que todas as ações sejam legais", completou.

Brennan estava ciente de que seria interrogado duramente sobre os ataques de drones no Paquistão e no Iêmen. Segundo a New America Foundation, esses ataques deixaram 1.577 mortos, entre eles 143 civis apenas no Paquistão. O conselheiro de Obama sabia também que seria questionado sobre seu envolvimento na decisão da CIA de torturar suspeitos de terrorismo, durante o governo de George W. Bush. No início dos anos 2000, Brennan era o terceiro na hierarquia da CIA.

Brennan não é único a sofrer resistências. Mesmo depois de oito horas de sabatina no Senado em janeiro, não há certeza de aprovação do ex-senador republicano Chuck Hagel como secretário de Defesa. Obama se vê cada vez mais pressionado a apresentar outro nome para o posto, hoje ocupado por Leon Panetta.

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