Em segredo, CIA retirou prisioneiros do Iraque

Ao longo dos últimos seis meses, a CIA retirou do Iraque, em segredo, mais de dez prisioneiros não identificados, numa possível violação dos tratados internacionais sobre o tema, denunciou neste domingo o jornal The Washington Post. Os detidos foram removidos sem que a Cruz Vermelha Internacional, as comissões parlamentares de supervisão, o Departamento de Defesa e até mesmo investigadores da CIA fossem notificados, publicou o jornal. O The Washington Post citou fontes não identificadas em sua reportagem. Em 19 de março, o Departamento de Justiça fez um esboço de autorização para que a CIA retirasse prisioneiros do Iraque para interrogatório. Entretanto, o documento dizia que os detentos poderiam deixar o país árabe "apenas por um breve período, e não por tempo indeterminado", informou o Post. O mesmo memorando admite, porém, que "estrangeiros ilegais sejam removidos permanentemente de acordo com as leis locais de imigração", prosseguiu o jornal. As transferências podem violar as Convenções de Genebra, que proíbem a "transferência forçada, individual ou em massa, assim como a deportação das pessoas protegidas em territórios ocupados". Sean McCormack, porta-voz da Casa Branca, garantiu que a política americana é cumprir as Convenções de Genebra, criada para proteger civis durante períodos de guerra e ocupação. Entretanto, o governo George W. Bush insiste em não considerar seguidores da rede extremista Al-Qaeda como pessoas protegidas pelo tratado. A identidade dos prisioneiros transferidos e a localidade para onde foram enviados não foi revelada.

Agencia Estado,

24 Outubro 2004 | 16h46

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