Em Selma, Obama volta a criticar restrições a voto

Milhares de pessoas se reuniram neste sábado na cidade de Selma, no estado norte-americano do Alabama, para ouvir o discurso do presidente Barack Obama no 50º aniversário de um marco no movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos.

SELMA, ALABAMA, Estadão Conteúdo

07 Março 2015 | 18h52

Depois de um pequeno atraso na viagem por questões de segurança, Obama chegou a Selma e fez um discurso centrado em temas atuais. O presidente lembrou a morte de um jovem negro por um policial branco em Ferguson, no Missouri, e voltou a criticar leis com restrições eleitorais. Para Obama, medidas sendo adotadas em estados do sul do país dificultam o voto.

"Cinquenta anos depois de Selma, há leis neste país destinadas a tornar mais difícil que as pessoas votem", disse Obama. Ele desafiou o Congresso norte-americano a "cumprir sua missão e restaurar a lei este ano".

O presidente já havia discutido o tema do direito ao voto antes, incluindo no seu discurso "State of the Union". Sua administração tem questionado estados que impuseram novas exigências para votar, incluindo a necessidade de mostrar foto com identificação e coibindo oportunidades para votar cedo. Críticos dessas medidas dizem que elas afetam sobretudo eleitores de minorias e que representam um retrocesso nas conquistas do movimento pelos direitos civis.

No aniversário do "domingo sangrento", o dia de 1965 em que a polícia atacou pessoas que participavam de uma passeata pelo direito ao voto, Obama prestou uma homenagem a Selma. O presidente norte-americano afirmou que aquele local mudou o destino do país há 50 anos. A cidade, declarou, é um símbolo de que ainda há mais trabalho a ser feito para reparar as relações raciais.

"Sabemos que a marcha ainda não acabou, que a corrida ainda não está ganha, e que nos tornarmos uma nação abençoada em que somos julgados pelo conteúdo do nosso caráter requer admitir esses pontos", disse Obama em seu discurso.

Obama afirmou que a história racial dos Estados Unidos ainda "lança uma grande sombra", mas que progresso tem sido feito. O presidente falou daquilo que considerou ser retrocessos recentes, como o relatório do departamento de Justiça detalhando tratamento supostamente inconstitucional dado pela polícia a afro-americanos em Ferguson.

"O que aconteceu em Ferguson pode não ser um caso único, mas não é mais algo epidêmico, não é mais aceito pela lei e os costumes", disse Obama. "Antes do movimento pelos direitos civis, era certamente aceito", completou.

Entre os que participaram das comemorações neste sábado, estava a primeira-dama Michelle Obama, o ex-presidente George W. Bush e uma delegação de membros do Congresso que incluía o deputado John Lewis, nascido no Alabama e um dos que foram seriamente feridos na violência da marcha pelos direitos cinquenta anos atrás. Fonte: Dow Jones Newswires.

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