Em sessão tensa, Parlamento iraquiano reelege xiita como premiê

Maliki é considerado próximo ao Irã; curdo presidirá o país e sunitas controlarão o Congresso

estadão.com.br,

11 de novembro de 2010 | 19h06

  Presidente do parlamento, Osama al-Nujaifi (C), comanda sessão. Foto:  Thaier al-Sudani/Reuters

BAGDÁ - O Parlamento do Iraque definiu o novo governo do país nesta quinta-feira, 11, após um acordo que colocou fim a oito meses de impasse político. O bloco secular sunita Iraqyia, do ex-premiê Iyad Allawi, ficou com a presidência do Parlamento. O curdo Jalal Talabani segue como Chefe de Estado. Ele nomeou o xiita secular Nouri al-Maliki para formar o governo como primeiro-ministro.

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Durante a eleição de Talabani, dois terços do bloco sunita de Allawi abandonaram o Parlamento, o que indica a fragilidade do acordo e o alto grau de instabilidade política do país. O Iraqyia queria votar uma lei que impede três membros do bloco, ex-integrantes do partido Baath, de Saddam Hussein, de assumirem posições no governo.

Mesmo com a saída dos sunitas, o Parlamento manteve o quórum para eleger Talabani. Maliki, que é apoiado também pelos xiitas leais ao clérigo radical Moqtada al-Sadr, tem 30 dias para formar o governo.

Conforme o acordo, o sunita Osama al-Nujaifi, presidirá o Parlamento e Allawi controlará um novo conselho, com autoridades sobre a segurança nacional. O Iraqiya vem pressionando para que esse conselho tenha grandes poderes, mas não está ainda claro se isso deve ocorrer.

As eleições legislativas de 7 de março não haviam dado a nenhum partido a maioria para governar sozinho o país. Desde então, al-Maliki e Allawi competiam para formar um novo governo. O bloco de Allawi, Iraqyia, teve dois assentos a mais que a Aliança do Estado de Direito, de al-Maliki.

Segundo a Constituição do Iraque, a eleição do presidente do Parlamento é uma etapa indispensável antes da designação do chefe de Estado e do premiê. No país, os eleitores elegem os deputados, que por sua vez apontam os cargos executivos. Este será o terceiro governo iraquiano desde a queda do regime de Saddam Hussein.

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Com AP e Reuters

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