Em Seul, Francisco pede reconciliação das duas Coreias

Na visita de cinco dias à Coreia do Sul, papa celebrará missa pela paz na Catedral de Myeong-dong

JOSÉ MARIA MAYRINK, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2014 | 02h04

Ao iniciar ontem uma visita de cinco dias a Seul, o papa Francisco fez um apelo em favor da reconciliação e da unidade entre as duas Coreias, a do Sul e a do Norte, divididas desde 1948, depois de mais de 2 mil anos de história comum. Os dois países, que lutaram na Guerra da Coreia, de 1950 a 1953, nunca assinaram um tratado de paz. Desde o fim da década de 90, os coreanos ensaiam uma aproximação, até agora sem resultado.

O papa foi recebido pela presidente Park Geun-hye, que foi batizada na Igreja Católica, mas não é praticante. Os católicos são cerca de 5,4 milhões, pouco mais de 10% da população, que tem 30% de cristãos, na maioria protestantes. Na segunda-feira, Francisco celebrará uma missa pela paz e pela reconciliação na Catedral de Myeong-dong, em Seul. Paz e Reconciliação é também o tema da 6.ª Jornada Asiática da Juventude, que reunirá 6 mil jovens na capital durante a visita do papa.

"Uma das maiores expectativas é a de que o papa possa abrir um novo momento, uma nova fase em prol da reconciliação entre as duas Coreias, pois vivemos sempre, nos últimos 64 anos, com apreensão e sob a perene ameaça de guerra", disse o presidente da Conferência dos Bispos Coreanos, d. Peter Kang U-il, em entrevista à Rádio Vaticano, no mês passado.

Falando às autoridades e representantes do corpo diplomático, no palácio presidencial, Francisco insistiu na necessidade de se construir uma paz permanente entre as duas Coreias. "Exprimo o meu apreço pelos esforços feitos em favor da reconciliação e da estabilidade na Península Coreana e encorajo tais esforços, que são o único caminho seguro para uma paz duradoura", afirmou.

Martírio. Em reunião com os 35 bispos de 16 dioceses da Coreia, o papa salientou que sua viagem a Seul inclui a beatificação de Paul Yun Ji-chung e seus 123 companheiros, que foram martirizados em razão da sua fé cristã. "Os senhores são os descendentes dos mártires, herdeiros do seu heroico testemunho de fé em Cristo", disse o papa aos bispos, acrescentando que, como pastores, os bispos são também guardiães da memória (dos mártires) e da esperança oferecida pelo Evangelho para enfrentar os desafios do futuro.

A visita à Coreia é a terceira viagem internacional de Francisco, desde sua eleição em março do ano passado. Em julho de 2013, ele veio ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, celebrada no Rio de Janeiro; em maio, foi à Terra Santa, onde visitou a Jordânia, Israel e o território palestino; em janeiro do próximo ano, o papa irá para as Filipinas e Sri Lanka.

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