REUTERS/Brian Snyder
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O que Trump já disse sobre o uso de máscaras e o coronavírus

Durante a pandemia, o presidente expressou confiança de que o vírus desapareceria rapidamente e ceticismo quanto à eficácia das máscaras

Por Daniel Victor, Lew Serviss e Azi Paybarah, The New York Times, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 10h09

O presidente Donald Trump - que insistiu, quando o coronavírus surgiu nos Estados Unidos, que o vírus não seria uma ameaça - passou meses minimizando a eficácia das máscaras, inicialmente se recusou a ser fotografado com uma e esta semana zombou do ex-vice-presidente Joe Biden por utilizá-las.

Durante a pandemia, Trump foi suavizando seu tom sobre o uso da proteção facial. Ele chegou a ser visto usando máscara e até encorajou os americanos a usá-las. Mas até mesmo o endosso do presidente vieram com advertências, que confundiram a mensagem.

Um exemplo: no debate presidencial de terça-feira, depois de dizer que usava máscaras "quando necessário", Trump afirmou que o Dr. Anthony Fauci, o principal funcionário dos EUA em doenças infecciosas, havia dito inicialmente que "máscaras não são boas, então ele mudou de ideia". Dr. Fauci rejeitou a alegação, dizendo na quinta-feira, 1º, que há muito tempo implorava às pessoas para usarem máscaras.

O comentário durante o debate foi o último a minimizar a seriedade do uso da proteção. Aqui estão algumas das declarações de Trump desde o início da pandemia.

Sobre o uso de máscaras e sua eficácia

3 de abril, na Casa Branca: "O C.D.C. [Centro de Controle de Doenças e Prevenção, na sigla em inglês] está aconselhando o uso de coberturas faciais não médicas como medida voluntária adicional de saúde pública. Portanto, é voluntário. Você não tem que fazer isso. Eles sugeriram por um período de tempo, mas isso é voluntário. Eu não acho que vou fazer isso."

"Eu só não quero fazer - eu não sei, de alguma forma sentado no Salão Oval atrás daquela bela mesa resoluta, a grande mesa resoluta. Acho que usar uma máscara enquanto saúdo presidentes, primeiros-ministros, ditadores, reis, rainhas - eu não sei, de alguma forma, não vejo por mim mesmo. Eu apenas, eu simplesmente não."

21 de maio, visita à fábrica da Ford: "Usei uma [máscara] na parte de trás. Não queria dar à imprensa o prazer de vê-lo."

19 de julho, em entrevista ao apresentador da Fox News Chris Wallace: "Não concordo com a afirmação de que se todo mundo usar uma máscara, tudo desaparece".

13 de agosto, na Casa Branca: "Meu governo tem uma abordagem diferente: instamos os americanos a usarem máscaras e enfatizei que é uma atitude patriótica. Talvez elas sejam ótimas, e talvez elas sejam apenas boas. Talvez elas não sejam tão boas."

7 de setembro, pedindo a um repórter para remover uma máscara enquanto faz uma pergunta: "Se você não tirar, você fica muito abafado".

29 de setembro no primeiro debate presidencial: "Acho que as máscaras são 'ok'. Você tem que entender, se olhar - quero dizer, eu tenho uma máscara bem aqui. Eu coloco uma máscara quando acho que preciso. Esta noite, por exemplo, todo mundo fez um teste e você teve distanciamento social e todas as coisas que você precisa."

Ele continuou: "Quando preciso, uso máscaras. Não uso máscaras como ele", disse, se referindo a Joe Biden. "Cada vez que você o vê, ele tem uma máscara. Ele poderia estar falando a 200 metros de distância deles, e ele aparece com a maior máscara que eu já vi."

Previsões iniciais de que o vírus não seria uma ameaça

22 de janeiro, perguntado por um repórter da CNBC se havia "preocupações sobre uma pandemia": "Não, de forma alguma. Temos tudo sob controle. É uma pessoa vindo da China, e temos tudo sob controle. Vai ficar tudo bem."

30 de janeiro, em Warren, Michigan: "Temos um pequeno problema neste país neste momento - cinco [casos]. E essas pessoas estão se recuperando com sucesso."

14 de fevereiro, dirigindo-se ao Conselho Nacional de Patrulha de Fronteira: "Há uma teoria de que, em abril, quando esquenta, historicamente, isso seja capaz de matar o vírus. Portanto, ainda não sabemos; não temos certeza ainda."

24 de fevereiro, em um tweet: "O coronavírus está sob controle nos EUA. Estamos em contato com todos e todos os países relevantes. O CDC e a OMS têm trabalhado muito e de forma inteligente. O mercado de ações está começando a parecer muito bom para mim!"

26 de fevereiro, em uma entrevista coletiva na Casa Branca, comentando sobre os primeiros casos relatados no país: "Estaremos em breve com apenas cinco pessoas e poderemos estar com apenas uma ou duas pessoas em um curto período de tempo. Então, tivemos muita sorte."

26 de fevereiro, ao lado de altos funcionários de saúde de agências governamentais: "O risco para o povo americano continua muito baixo. Temos os maiores especialistas do mundo bem aqui."

27 de fevereiro, em uma reunião na Casa Branca: “Vai desaparecer. Um dia - como um milagre - ele vai desaparecer."

7 de março, perguntado em Mar-a-Lago se ele estava preocupado que o vírus estivesse se aproximando da Casa Branca e de Washington: "Não, não estou nem um pouco preocupado. Não, eu não estou. Não, fizemos um ótimo trabalho."

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