DAVID CHANG/EFE
DAVID CHANG/EFE

Em Taiwan, venda de armas acirrou tensão com Pequim

Para Pequim, venda é uma ameaça à integridade territorial do país, que considera Taiwan uma província rebelde

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 05h00

A região da Ásia na qual o presidente americano, Donald Trump, mais provocou desconforto com a China aparenta uma certa tranquilidade: Taiwan. Em 2017, no primeiro ano de Trump, os EUA venderam mais de US$ 1,4 bilhão em armas para Taiwan em mísseis e sistemas antiaéreos. No ano seguinte, foram mais US$ 300 milhões em peças de reposição. Em 2019, a administração negociava um novo pacote de US$ 2,2 bilhões que inclui a venda de caças F-16.

A China disse que a venda é uma ameaça à integridade territorial do país, que considera Taiwan uma província rebelde. Apoiados por Bolton, os EUA autorizaram operações para “garantir a liberdade de navegação” no Mar do Sul da China, em outra manobra que irritou os chineses.

A aproximação com Taiwan foi possível graças à eleição de Tsai Ing-wen para a presidência, em 2016. Crítica de elos mais profundos com o continente, ela buscou uma relação mais próxima com os EUA, numa mudança da política de Washington na gestão de Barack Obama de evitar tensões desnecessárias com os chineses.

Logo após ter sido eleito, em dezembro de 2016, Trump irritou os chineses ao conversar pelo telefone com Tsai. Desde a retomada de relações entre Washington e Pequim, ambos se pautam pelo princípio de uma só China, pelo qual os americanos não reconhecem Taiwan, apesar de apoiar o território geopoliticamente.

“Taiwan usou o fato de Trump ver a China como um rival em potencial para se aproximar”, disse Wang Kung-yi, da Universidade de Cultura Chinesa de Taipé ao South China Morning Post.

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