REUTERS/Marco Bello
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Em teatros, venezuelanos assistem e participam de peças sobre a crise do país

Violência, insegurança e cotidiano da capital Caracas são encenados em micro-teatros

O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 18h40

CARACAS - Um manifestante venezuelano mascarado agoniza em uma rua de Caracas, baleado no peito por um soldado que percebe, horrorizado, que matou seu irmão mais novo. Essa poderia ser a histórias de uma das 125 pessoas que morreram durante os protestos ocorridos na Venezuela no ano passado. Mas é uma cena que centenas de venezuelanos podem assistir diariamente num teatro improvisado em um antigo salão de bingo, como parte de uma onda de novas produções que refletem a crise política e o colapso econômico do país.

Em todas as noites dos últimos dois meses, o outrora glamoroso shopping center Tamanaco foi o palco de diretores locais que montaram peças recorrentes de 15 minutos em 30 "micro-teatros" com espaço para várias dezenas de espectadores apertados e sentados a uma distância de um braço do elenco.

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Entre as peças mais famosas, está "Alan", protagonizada pelo ator Francisco Aguana, de 27 anos. Ele interpreta um manifestante assassinado pelo irmão durante um protesto em que estava com o rosto coberto. Seu irmão é o policial Alejandro, que deixa a família para servir o exército. Alan começa a se manifestar revoltado após não encontrar remédios para sua mãe doente. 

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O próprio ator esteve nos protestos contra o governo no ano passado. "Mas honestamente sinto que o protesto mais poderoso é aqui, apresentando esta peça", disse.

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Outra produção que tem atraído os venezuelanos é "Entre". Nela, espectadores ficam em um espaço apertados que imita o sistema de metrô de Caracas. Os atores encenam, do meio do público, pequenas cenas da violência que marcam a insegurança do dia a dia do transporte público na cidade.

O conceito de micro-teatro surgiu em 2009, de um bordel antigo em Madrid. Desde então, espalhou-se pela América e ganhou popularidade em Caracas conforme as pessoas buscavam um lugar seguro para ter uma noite agradável. "É como uma montanha-russa, você ri, chora, reflete", diz Dairo Pineres, coordenador dos micro-teatros. Os venezuelanos pagaram 140 mil bolívares (cerca de US$ 0,08) para a assistir às produções desde abril, quando a temporada teve início. / REUTERS

 

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