Em Teerã, Ban Ki-moon critica repressão à oposição iraniana

Secretário-geral da ONU irrita líderes iranianos ao falar de direitos humanos; Ban discursa na Cúpula dos Não Alinhados hoje

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h07

Horas depois de desembarcar em Teerã, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ter "sérias preocupações" sobre o programa nuclear e a condição dos direitos humanos na república islâmica. Pegas de surpresa, autoridades iranianas irritaram-se com as críticas de Ban. O secretário-geral está no Irã para participar da Conferência dos Países Não Alinhados.

Ban encontrou-se ontem com o líder supremo de Teerã, aiatolá Ali Khamenei, e com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O diplomata sul-coreano, porém, só falou a jornalistas ao se reunir com o porta-voz do Parlamento, Ali Larijani, forte aliado de Khamenei.

"Discutimos como a ONU pode trabalhar juntamente com o Irã para melhorar a situação dos direitos humanos aqui. Temos sérias preocupações com os direitos humanos e as violações neste país", afirmou Ban. Sentado ao seu lado, Larijani reprovava as afirmações do secretário-geral balançando a cabeça.

A visita de Ban ao Irã foi motivo de polêmica. Potências ocidentais pediram-lhe que cancelasse a viagem à cúpula, pois o evento estaria sendo usado pelo Irã para desviar a atenção sobre seu programa nuclear. Opositores iranianos pediram a Ban que abordasse a questão dos direitos humanos durante sua estada no país.

Na imprensa iraniana, a visita do secretário-geral está sendo retratada como uma vitória sobre as potências. A Conferência dos Países Não Alinhados seria uma prova de que o Irã não está isolado, segundo a mídia estatal. O diplomata sul-coreano discursa hoje na cúpula.

Em sua conversa com Ban, o líder supremo iraniano teria pedido que ele intervenha contra o programa nuclear israelense. Segundo o site de Khamenei, o número 1 da república islâmica afirmou que o poderio atômico israelense "é uma grande ameaça (ao Oriente Médio". / REUTERS e AP

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