Em tempo de crise, mais americanas tentam vender óvulos

Premidas pela crise e atraídas por pagamentos de até 10 mil dólares, um número crescente de mulheres está oferecendo óvulos para venda em clínicas de fertilização norte-americanas. A atriz nova-iorquina Nicole Hodges, 23 anos, desempregada desde novembro, disse que decidiu vender os óvulos porque precisava desesperadamente de dinheiro. "Ainda estou pagando a faculdade. Tenho contas do cartão de crédito, e o aluguel em Nova York é caro demais", contou ela à Reuters Television. Ela já foi aceita como doadora e aguarda ser escolhida por um casal. Hodges se disse satisfeita por ajudar um casal infértil a ter um filho. "Sim, o dinheiro é muito legal, mas é legal poder permitir que uma mãe que queira ser mãe seja mãe", disse ela. O aumento do interesse é apontado por entidades em todo o país. O Centro para as Opções de Óvulos, em Illinois, tem visto um aumento de 40 por cento nas consultas sobre doações desde o começo de 2008. O Grupo de Fertilidade Assistida do Nordeste, em Nova York, disse que o interesse duplicou, e o Centro do Colorado para a Medicina Reprodutiva disse que o aumento nas consultas foi de 10 por cento. O Centro de Ciência Reprodutiva da Nova Inglaterra, que não lida diretamente com as doadoras e não costumava receber consultas sobre esse assunto, agora recebe várias por mês. A Sociedade América para a Medicina Reprodutiva recomenda que o pagamento total às doadoras seja limitado a 10 mil dólares. Um estudo da sociedade em 2007 concluiu que o pagamento médio nacional nos EUA era de 4.216 dólares. Katherine Bernardo, gerente do programa de doação de óvulos do Grupo de Fertilidade Assistida, lembrou que, embora as mulheres vejam na doação um dinheiro fácil, nem todas as doadoras são aceitas. "Há um clima econômico que estimula as mulheres a encontrarem formas criativas de ganharem dinheiro", disse ela. "Isso não significa que qualquer interessada em doação realmente chegue a doar, porque poucas mulheres na verdade são elegíveis." Bernardo disse que apenas 5-7 por cento das propostas recebidas resultam em coleta de ovos. A candidata ideal, segundo ele, tem entre 20 e 30 anos, é saudável, atraente e bem-educada.

MICHELLE NICHOLS E ANGELA MOORE, REUTERS

27 de fevereiro de 2009 | 21h02

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