Em termos de liderança europeia, poucas mudanças

Os resultados das eleições não permitem pressagiar mudanças na política europeia de Berlim nos próximos quatro anos e, particularmente, em suas receitas de consolidação fiscal e reformas para sair da crise.

ANÁLISE: Juan Palop, O Estado de S.Paulo / EFE

23 Setembro 2013 | 02h00

Em seu último grande comício, no sábado, em Berlim, Merkel ressaltou os êxitos de sua gestão da crise e garantiu a manutenção da política atual: "Solidariedade, sim, mas com condições".

A crise ainda não foi superada, advertiu a chanceler, e é necessário que os países da zona do euro empreendam as reformas estruturais que a Alemanha já realizou durante a primeira década deste século, principalmente incluídas na "Agenda 2010" do ex-chanceler Gerhard Schroeder.

Assim, os cidadãos e governos de países como Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha ou Itália não devem esperar grandes mudanças na posição alemã, embora possa haver uma matização de algumas políticas concretas a depender de quem se tornar parceiro na coalizão da chanceler.

Os especialistas descartam, por exemplo, a hipótese de Berlim aprovar uma nova flexibilização dos critérios europeu para reduzir o déficit público. Da mesma maneira, os cientistas políticos descartam que o novo governo da primeira economia europeia transija com algum dos modelos de mutualização da dívida pública que foram implementados nos últimos anos para atacar a elevação dos juros que os países em crises pagam para se financiar.

"Nem eurobônus nem emissões conjuntas de dívida", reforçou Merkel em sua intervenção final. Por isso, considera-se improvável que Merkel mude nos próximos quatro anos e abra mão para permitir, de alguma forma, a recapitalização direta dos bancos, um assunto de especial importância para a Espanha, pois o resgate do setor financeiro foi computado como dívida e déficit do Estado.

As novidades, se finalmente se articular um governo de coalizão, poderiam vir por duas vias: as medidas europeias sobre crescimento e o emprego, e a política financeira comum.

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