Em testamento, Bhutto diz que marido deveria liderar partido

Líder oposicionista foiassassinada no Paquistão em dezembro; no documento, ela diz temer pelo futuro do país

KAMRAN HAIDER, REUTERS

05 de fevereiro de 2008 | 11h40

O partido de Benazir Bhutto, líder oposicionista assassinada no Paquistão, divulgou na terça-feira o testamento político dela, um documento no qual defende que seu marido comande a legenda e diz temer pelo futuro do país.   Veja também: Filho de 19 anos de Benazir assume chefia de partido e mantém dinastiaBhutto foi morta em um atentado suicida após participar de um comício de campanha em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. O testamento dela foi lido para líderes do partido, reservadamente, horas depois do enterro dela e não havia sido divulgado ainda. Segundo um porta-voz da legenda de Bhutto, o documento estava sendo publicado para colocar fim a quaisquer dúvidas a respeito dos planos dela para a liderança do partido. "Eu temo pelo futuro do Paquistão. Por favor, continuem a lutar contra o extremismo, a ditadura, a pobreza e a ignorância", afirmou Bhutto no testamento. O documento de uma página, escrito a mão, exibia a data de 16 de outubro, dois dias antes de Bhutto regressar ao Paquistão após passar oito anos em exílio voluntário, revelou uma cópia do testamento mostrada em canais de TV do país. Uma porta-voz da legenda da líder oposicionista, Sherry Rehman, leu depois o conteúdo do documento em uma entrevista coletiva. Segundo Rehman, aquele era o testamento político de Bhutto. O testamento pessoal, que trata dos bens dela, é um assunto de esfera pessoal, afirmou a porta-voz. Antes de regressar ao Paquistão, Bhutto disse temer por sua segurança e falou sobre o perigo que enfrentaria diante dos militantes islâmicos e de outros elementos contrários a ela. O governo paquistanês e a CIA (agência de inteligência dos EUA) disseram que Bhutto foi morta por islâmicos ligados à Al Qaeda e liderados por um líder militante que atua na região da fronteira com o Afeganistão. A polícia britânica tem auxiliado as autoridades paquistanesas na investigação da morte dela, mas ainda não divulgou suas conclusões. 'Homem Corajoso'Após o assassinato de Bhutto, o marido dela, Asif Ali Zardari, e Bilawal Bhutto Zardari, 19, filho do casal, foram escolhidos co-presidentes do Partido do Povo Paquistanês. Em seu testamento, Bhutto diz que Zardari deveria comandar a legenda. "Gostaria de ver meu marido, Asif Ali Zardari, liderando-os enquanto vocês e ele decidem qual o melhor caminho a ser seguido," escreveu. "E eu digo isso porque ele é um homem corajoso e honrado. Ele ficou 11 anos e meio na prisão sem ceder, apesar da tortura. Ele possui a estatura política necessária para manter nosso partido unido."

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