Clemens Bilan/EFE/EPA
Clemens Bilan/EFE/EPA

Em todo o mundo, a véspera de Ano Novo mais silenciosa da memória

Ameaça contínua do coronavírus levou a cancelamentos e restrições na maioria dos países

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2020 | 18h34

WASHINGTON - Foi um ano brutal em todo o mundo. Mas mesmo que os foliões estejam ansiosos para ver o fim da pandemia de 2020, a contínua ameaça do coronavírus levou a cautelosas e silenciosas celebrações de Ano Novo em todo o mundo.

Em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia e um dos primeiros centros internacionais importantes a chegar a 2021, milhares de pessoas lotaram as ruas, e uma exibição de fogos de artifício na famosa Sky Tower iluminou os céus quando o relógio bateu meia-noite. Ao contrário de muitas outras nações, a Nova Zelândia derrotou o coronavírus.

"Somos muito abençoados por estar na Nova Zelândia", Taufau Aukuso disse ao NZ Herald enquanto comemorava com sua filha adolescente. Mas esse sentimento não é evidenciado em outras partes do mundo.

Mesmo na vizinha Austrália, que não experimentou a mesma escala de casos que a Europa Ocidental e as Américas, as comemorações icônicas da véspera de Ano-Novo de Sydney foram reduzidas e apenas algumas centenas de pessoas tiveram permissão para entrar no porto. As fotografias mostram áreas repletas de pessoas no ano passado, agora praticamente vazias sob as novas restrições relacionadas ao coronavírus.

"No final, Sydney tirou o máximo proveito de uma situação ruim", observou o Sydney Morning Herald em um artigo, apontando para novos casos de covid-19 no estado de New South Wales, do qual Sydney é a capital. Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, cancelou sua exibição de fogos de artifício.

"Que ano terrível tem sido", disse Gladys Berejiklian, a premiê de New South Wales. "Esperançosamente, 2021 será mais fácil para todos nós."

Em grande parte da Ásia, houve cautela semelhante. No Japão, onde novos casos atingiram um recorde na véspera de Ano Novo, um evento tradicional com a família imperial foi cancelado. Eventos em toda a China foram cancelados, enquanto Hong Kong cancelou sua icônica exibição de fogos de artifício no porto e ordenou que os restaurantes fechassem às 18h.

Mesmo em Taiwan, um dos países com melhor desempenho durante a pandemia, os sinais de cautela eram evidentes. O tamanho da multidão reunida para ver uma exibição de fogos de artifício planejada no arranha-céu Taipei 101 foi reduzido de 80 mil para 40 mil em meio a restrições, enquanto uma cerimônia de hasteamento da bandeira em frente ao Prédio da Presidência na manhã de Ano Novo foi limitada aos convidados.

Em todo o Oriente Médio e na Europa, havia diferentes níveis de restrições. A Turquia começou um bloqueio de quatro dias na véspera de Ano Novo, enquanto havia restrições aos eventos em muitas regiões da Rússia - embora as celebrações na famosa capital de Ano Novo do país, Kaluga, estejam acontecendo.

As comemorações foram diversas em grande parte da África. A pandemia não atingiu o continente com a mesma força que atingiu alguns de seus vizinhos do norte, mas o epicentro regional da África do Sul implementou restrições às reuniões e pediu aos restaurantes e praias que fechassem mais cedo. O presidente Cyril Ramaphosa disse que teria um sombrio Ano Novo e pediu que os outros fizessem o mesmo.

"Acenderei uma vela na Cidade do Cabo exatamente à meia-noite da Véspera de Ano Novo em memória daqueles que perderam suas vidas e em homenagem àqueles que estão na linha de frente trabalhando para salvar nossas vidas e nos proteger de perigos", disse Ramaphosa.

Algumas das medidas mais rígidas estavam em vigor na Europa Ocidental, onde rápido aumento de casos e uma nova variante do coronavírus haviam amortecido o espírito natalino. Na França, onde um toque de recolher estrito foi imposto, 100 mil policiais foram mobilizados para impedir as manifestações.

A Alemanha cancelou as comemorações em todo o país, enquanto o ministro da Saúde, Jens Spahn, exortou os alemães a terem "a véspera de Ano Novo mais tranquila de que há memória".

Em Londres, seções importantes da cidade foram isoladas para impedir que os foliões se reunissem. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e outras autoridades pediram às pessoas que respeitem as restrições covid-19 em vigor na maior parte do país.

"A covid adora uma multidão, então, por favor, deixe as festas para o final do ano", disse Stephen Powis, diretor médico nacional do NHS England, em entrevista coletiva na quarta-feira.

Na América Latina, muitas comemorações foram canceladas. No Brasil, o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, cancelou a exibição de fogos de artifício e disse que permitiria apenas a entrada de residentes na área.

Nos Estados Unidos, alguns dos eventos mais esperados foram cancelados - incluindo uma exibição de fogos de artifício em Nashville, onde um atentado a bomba no dia de Natal levou as autoridades a repensar os planos - ou diminuídos devido a restrições de pandemia, como em Las Vegas, onde a ocupação em cassinos foi limitado a 25 por cento.

O icônico lançamento de bola na Times Square de Nova York acontecerá, mas não terá multidões. O comissário de polícia Dermot Shea disse à agência Associated Press que os policiais estavam trabalhando em uma "zona congelada" ao redor da Times Square que bloquearia o acesso dos foliões. Ele pediu às pessoas que assistissem em casa. /WP

 

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