Em todo o mundo, grandes manifestações contra a guerra

Centenas de milhares de pessoas saíram hoje novamente às ruas em todo o mundo para protestar, com marchas maciças e atos de desobidiência civil, contra o ataque anglo-americano ao Iraque. "Voltamos!", "De quem são as ruas? - Nossas!"Com slogans desse tipo, que lembram os protestos contra a Guerra do Vietnã, os EUA voltaram a sentir em sua própria terra o significado das manifestações antibélicas. Cerca de 100.000 pessoas, segundo a rede CNN, manifestaram-sedurante o dia todo pelas ruas de Manhattan, em Nova York, etambém em São Francisco - onde a cada dia são detidas centenasde pessoas que participam das marchas, que parecem incorporar-seà agenda diária da cidade.Também na Europa os pacifistas continuaram firmes nasruas contra a guerra. Em Londres, cerca de 150.000 pessoas percorreram a capital britânica, pedindo a Blair e a Bush que acabem com os ataques ao Iraque. A polícia londrina, que temia episódios deviolência, havia convocado ontem 3.500 agentes e, embora nãotenham ocorrido novos atos violentos, os policiasi bloquearamônibus que transportavam pacifistas até a base militar deFairford. Em Viena, dezenas de milhares de pessas desfilaram pelocentro da cidade, onde gritavam em coro "Parem a guerra","EUA, central do genocídio" e "Bush e Blair: atirem-se aomar". Ao mesmo tempo, outras 150.000 pessoas lançavam-se à ruas decidades alemãs, de modo pacífico - salvo a marcha realizada emStuttgart, onde manifestantes e policiais entraram em choque. Paris também teve a sua marcha antibélica, com 100.000pacifistas, aos gritos de "Imperialismo americano: tire suasmãos sangrentas do Iraque", entre outros. Em Lyon, os pacifistas franceses entraram em um McDonalds, onde denunciaram "a guerra colonial" em curso no Iraque. Em Helsinque, a capital da Finlândia, o protesto de hoje reuniu 20.000 pessoas - uma cifra recorde para a cidade, pelo menos desde as manifestações contra a Guerra do Vietnã. Na Itália, multiplicaram-se hoje, contra a guerra, atos de desobediência civil (como a tomada das universidades deBolonha, Messina e Peruggia) e as marchas contaram com 160.000participantes nas cidades de Roma, Veneza, Nápoles, Siracusa,Bari - onde as escolas estão em assembléia permanente -, Turim ePalermo. No Oriente Médio, após a violência registrada ontem no Iêmen, a calma foi interrompida hoje em Bahrein, onde houve detenções e feridos na capital, Manama, e 200 estudantes entraram em confronto com a polícia diante da embaixada dos EUA.Menos violentas do que as de ontem, as manifestações de hoje no Cairo e em todo o Egito assumiram uma forte caracterização islâmica, enquanto o secretário da Liga Árabe, Amr Moussa, destacava que os bombardeios anglo-americanos são "inaceitáveis". O epílogo mais trágico das marchas que vêm se realizando há três dias em Cartum, no Sudão, foi a morte de um estudante, atingido por um tiro da polícia, que tentava impedir o acesso de cerca de 3.000 pacifistas à embaixada americana. Na América Latina, cerca de 5.000 pacifistas protestaram hoje pelas ruas de Santiago do Chile em repúdio à guerra, incitando ao boicote contra redes comerciais e de distribuição de gasolina vinculadas aos EUA.Veja o especial :

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