Em tom ameno, Londres e Teerã dão sinais de que negociarão

O Reino Unido aceitou discutir com o Irã formas de evitar atritos em águas territoriais do Golfo Pérsico, informou nesta segunda-feira, 2, uma fonte no governo britânico. Em um sinal de que a disputa entre os dois países sobre a detenção de 15 militares britânicos caminha para uma nova etapa, a rádio estatal iraniana qualificou o desdobramento como "uma mudança positiva" na posição de Londres.Diplomatas dos dois países aceitaram debater formas de evitar a repetição de situações como o atual impasse em torno de 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos detidos por Teerã depois de uma suposta violação das águas territoriais iranianas ocorrida em 23 de março.De acordo com a fonte no governo britânico, a discussão fará parte das negociações pela libertação dos 15 britânicos.Mas, apesar do clima conciliatório, o futuro dos militares continua incerto. Na madrugada desta segunda-feira, uma rede de TV estatal iraniana voltou a transmitir imagens dos cativos, anunciando que todos os 15 marinheiros e fuzileiros confessaram terem invadido águas territoriais iranianas. A emissora informou que não transmitirá imagens da confissão. A decisão aparentemente é uma resposta às "mudanças positivas" na posição britânica, segundo a rádio estatal iraniana. Este é o 11º dia de detenção dos militares britânicos, que foram abordados por embarcações iranianas em águas do Golfo Pérsico disputadas pelo Irã e Iraque. Enquanto Teerã alega que os marinheiros e fuzileiros navais invadiram águas iranianas, e exige que o governo do Reino Unido se desculpe pela "invasão", Londres afirma que seus homens realizavam operações de rotina em território iraquiano - e diz que não se desculpará.Confissões ´encenadas´A disputa entre os dois países vem num momento em que o governo iraniano sofre grandes pressões da comunidade internacional por sua insistência em manter um polêmico programa de enriquecimento de urânio. Considerado por potências ocidentais parte de um plano para a produção de armamentos nucleares, o programa foi alvo de novas sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU no último dia 24. O país persa alega que as atividades têm finalidade pacífica.Apesar da nova abordagem do Reino Unido para o problema, nesta segunda-feira um interlocutor do primeiro-ministro britânico disse que Tony Blair classificou as supostas confissões de invasão das águas iranianas como "encenadas". Ele reiterou que Londres não retirará sua demanda para que os marinheiros sejam soltos sem a imposição de condições."Os iranianos conhecem nossa posição. Eles sabem que aparições encenadas na TV não mudarão o que pensamos", disse o interlocutor. "E ele sabem que temos forte apoio internacional." Os ministros que formam o gabinete de crise britânico devem participar de uma nova reunião ainda nesta segunda. EnviadoO presidente da comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, Allaeddin Broujerdi, sugeriu nesta segunda que Londres envie um representante a Teerã para discutir a suposta invasão. Ainda não está claro se a proposta possui apoio dentro do governo do país.Em sintonia com os relatos de que o governo britânico está disposto em ampliar os contatos com o Irã, Broujerdi acrescentou: "Há a necessidade de um acordo bilateral para que este tipo de incidente não volte a acontecer no futuro."Texto ampliado às 12h33

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