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Em tom de conciliação, Obama visitará países da América do Sul

Presidente dos EUA adianta que planeja visitar países com os quais Washington tem acumulado mal-entendidos

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

18 de abril de 2009 | 17h25

Em seu primeiro encontro com os líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul), na 5.ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, na manhã deste sábado, 18, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, adiantou que planeja visitar os países latino-americanos com os quais Washington tem acumulado mal-entendidos. O anúncio foi considerado pelo Itamaraty como o sinal mais efetivo, até agora, da disposição de Obama de mudar a maneira de a Casa Branca conduzir a relação com a América do Sul - da tradicional imposição de suas propostas para uma atitude de cooperação.  

 

 

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Nos bastidores da 5.ª Cúpula das Américas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que seu colega norte-americano promova uma visita da secretária de Estado Hillary Clinton à Bolívia e à Venezuela para buscar uma melhora mais rápida nas deterioradas relações de Washington com os dois países. 

 

Ao relatar esse episódio, o chanceler Celso Amorim, esquivou-se de mencionar quais países estariam na lista de Obama para as futuras viagens. Em princípio, figurariam a Venezuela e a Bolívia, cujos governos expulsaram os embaixadores americanos credenciados, e mais o Equador e a Nicarágua. Uma eventual visita de Obama a Cuba dependeria da evolução do diálogo entre Washington e Havana.

 

  Pelo relato de Amorim, mesmo os líderes mais incendiários mantiveram a conversa a portas fechadas em alto nível. Chávez, segundo o chanceler brasileiro, surpreendentemente fez um discurso curto e cordial. Esse tom foi mantido mesmo quando tocaram na questão mais delicada da 5ª Cúpula das Américas - a retomada de relações dos EUA com Cuba e sua reinserção no diálogo interamericano.

Apesar da ausência de Cuba, o tom do encontro foi conciliatório. Obama propôs uma nova parceira com os líderes da América Latina e Caribe, que recebeu até a aprovação do líder venezuelano Hugo Chávez, um forte crítico de Washington. "Acho que estamos fazendo progresso na cúpula", afirmou o americano. Após a reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americana), Chávez mostrou um inédito tom amistoso com os EUA. Ele disse que os países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) manterão o veto à declaração da Cúpula - sob a alegação de que o texto exclui Cuba, não convidada para o evento -, mas que "sem dúvida nenhuma" as relações da região, de Cuba e de seu país com os EUA melhorarão sob o governo Obama, "um homem inteligente."

Cuba tem se tornado o foco principal da reunião dos 34 países. Na sexta-feira, Obama disse, durante seu discurso no início do evento, que estava disposto a "recomeçar" as relações bilaterais com a ilha. Pouco antes, a Casa Branca admitiu estar "impressionada" com a declaração do presidente cubano, Raúl Castro, na quinta-feira (de que está disposto a discutir sobre "tudo" com os EUA), mas disse esperar ações concretas - libertação de prisioneiros políticos e redução das taxas sobre remessas de cubano-americanos.

 

 

"Não quero apenas conversar só por conversar. Acredito que podemos mover as relações entre os EUA e Cuba numa nova direção", acrescentou Obama. Antes do início da cúpula, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou que derrubará uma resolução que excluiu Cuba da entidade em 1962, enquanto a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou a abertura de Raúl para o diálogo.

 

 

Neste sábado, os 34 presidentes participaram de três sessões plenárias, além de um jantar oficial. Também está previsto um show cultural. À tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá discursar. Temas como biocombustíveis estão na agenda de Lula.

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