Em troca de trégua, ELN exige pagamento de resgate

O Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo rebelde da Coloômbia, exigiu, como condição para acertar uma trégua de seis meses, um pagamento para a libertação de centenas de seqüestrados, mas o governo considerou tal proposta inaceitável. "Os retidos não podem ser libertados sem uma contraprestação econômica... isso tem um custo e isso é real", disse nesta terça-feira o comandante do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, vulgo "Gabino". O comissário de paz governamental, Camilo Gómez, qualificou a proposta de "inviável", embora os rebeldes considerem o tema como um "componente essencial da trégua". "Não é possível nem legal, nem moralmente", acrescentou Gómez. Segundo o comissário, o número de raptados pela segunda guerrilha do país é estimado entre 200 e 400 pessoas.Rodríguez e Gómez falaram separadamente pela rádio Caracol sobre as negociações que se desenvolvem, em Cuba, para obter uma trégua e avanços no processo de paz. A proposta rebelde inclui que o Estado e a comunidade internacional ajudem a financiar os guerrilheiros durante a trégua, condição para que suspendam os seqüestros e extorsões. Além disso, o ELN pede programas de desenvolvimento social e econômico para as zonas onde seus militantes se encontram, e um fundo para que a guerrilha possa ser reativada caso fracassem as negociações."São temas essenciais e o governo os conhece perfeitamente", disse "Gabino". Gómez respondeu que financiar a guerrilha em trégua é possível, porque já se fez isto em outros pprocessos de negociação e porque ficaria mais barato para o país, que teve de assumir custos de cerca de US$ 1,54 bilhão durante quase duas décadas de ataques à sua infra-estrutura.Mas rejeitou o fundo para financiar o ELN em caso de a trégua ser rompida. "Não pode haver recursos públicos ou privados para financiar a guerra", afirmou. O problema do financiamento da guerrilha não é a única dificuldade. Também continuam em discussão assuntos como o cessar-fogo bilateral e a imobilização dos rebeldes em um ou vários territórios. Esta é a primeira vez que se conhecem as condições do ELN para chegar a uma trégua e iniciar conversações formais de paz. Para "Gabino", chegou "o momento de definições".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.