Em último discurso, Blair faz balanço dos 12 anos à frente do Partido Trabalhista

Em discurso durante a última conferência em que participa como líder do Partido Trabalhista, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, fez uma avaliação dos 12 anos que atuou à frente do partido e comentou assuntos polêmicos que marcaram esse período, como Guerra do Iraque e terrorismo. O pronunciamento terminou sob fortes aplausos da platéia, lotada por membros do partido. "Obrigado Partido Trabalhista, por me dar a chance extraordinária de liderá-los nos últimos 12 anos", disse Blair, em agradecimento. De acordo com o premier, um dos desafios de sua atuação como líder do partido foi consolidar a posição do país como potência mundial. Durante o pronunciamento de 56 minutos, Blair também abordou assuntos como globalização, serviços públicos e imigração. Segundo Blair, o discurso foi uma oportunidade para defender seu legado como líder trabalhista, além de servir para lembrar seus inimigos das realizações e de estimular o partido a continuar no mesmo caminho após sua saída, que deve ocorrer no próximo ano.Em um dos momentos mais esperados do discurso, Blair defendeu o apoio do país à guerra do Iraque. "O povo britânico pode perdoar uma decisão errada (...), mas não perdoaria não decidir nada", argumentou. O premier britânico enfrentou oposição severa quando tropas britânicas uniram-se às americanas durante a Guerra.Ele se defendeu dizendo que o país não pode mais fechar as portas para os problemas e conflitos do mundo. "Os britânicos são hoje cidadãos globais", disse.Blair lembrou a platéia que quando o Partido Trabalhista venceu as eleições pela primeira vez, os problemas domésticos dominavam a agenda. "Hoje, os desafios são globais, e incluem mudanças climáticas, crime organizado e extremismo religioso", disse.O premier terminou sua fala com palavras de incentivo para o partido. "Estarei sempre com vocês, na cabeça e no coração", disse. "Vocês me deram tudo que eu conquistei e tudo que nós conquistamos para o país".No centro das atenções da conferência desta terça, em Manchester, Blair era um homem diferente do jovem de 41 anos que assumiu a liderança do partido, em 1994. Seu cabelo tem fios grisalhos e as linhas que marcam seu rosto estão mais evidentes - reflexo dos 12 turbulentos anos nos quais viu o país enviar tropas para combate no Iraque e no Afeganistão e enfrentou atentados terroristas em solo britânico. "Eu sei que pareço muito mais velho. Isso é o que ser líder do partido Trabalhista faz com você", brincou Blair.

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