STR/Efe
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Em último esforço de mediação, líder sul-africano tenta fazer Kadafi ceder

Presidente Jacob Zuma tem encontro reservado com ditador líbio em Trípoli e afirma que ele aceitou[br]''mapa para a paz'', embora não tenha mencionado a principal reivindicação da oposição: rendição incondicional e imediata

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Após a suspensão temporária da zona de exclusão aérea imposta pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à Líbia, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, chegou ontem em Trípoli para tentar mediar uma solução política para a crise no país árabe. O líder sul-africano foi recebido com festa e teve um encontro reservado com seu colega líbio, Muamar Kadafi. Ao final, Zuma disse que o ditador está pronto para uma trégua, mas sob condições.

O líder sul-africano não disse se Kadafi aceita deixar o poder - como opositores e a Otan exigem. "Ele aceitou o mapa para a paz", disse Zuma, esclarecendo em seguida que Kadafi insiste que "todos os líbios tenham a chance de discutir".

Dezenas de pessoas aguardavam o líder sul-africano diante da principal base aérea de Trípoli, empunhando a bandeira verde do regime Kadafi. A aliança atlântica, que vinha intensificando os bombardeios na capital líbia, principalmente contra alvos civis da ditadura, suspendeu temporariamente os ataques.

Zuma foi levado ao complexo de Bab al-Aziziyah, a mais conhecida residência de Kadafi em Trípoli. O ditador e o presidente da África do Sul teriam se encontrado com apenas mais duas pessoas na sala, segundo a agência Associated Press. O conteúdo da conversa não foi divulgado e Zuma evitou os jornalistas ao final do encontro.

Esta foi a segunda visita do líder sul-africano à Líbia para tentar mediar um acordo de cessar-fogo. Na primeira tentativa, em abril, Kadafi disse a Zuma que aceitava uma trégua imediata, mas em seguida continuou os ataques contra redutos da oposição.

Rebeldes, que hoje têm controle total sobre o leste da Líbia, afirmam que só aceitaram um acordo com a rendição incondicional de Kadafi, desde 1979 no poder.

A África do Sul está na presidência rotativa da União Africana (UA), que tem mantido relações tensas com o ditador líbio. Mas Zuma subiu o tom nas últimas semanas contra a Otan, acusando a aliança de ultrapassar os limites previstos na resolução da ONU que autorizou o bombardeio contra a Líbia.

Durante décadas Kadafi apresentou-se como líder africano, dando grandes somas do dinheiro do petróleo para investimentos e projetos de desenvolvimento em todo continente.

Em Benghazi, capital rebelde, o ministro das Relações Exteriores do Conselho Nacional Líbio, Fathi Baja, afirmou que Kadafi sabe que está "encrencado". "O equilíbrio militar mudou completamente e o círculo de assessores em volta dele está desertando. Até a Rússia está pedindo para que Kadafi deixe o poder."

Defesa. No mesmo dia em que Zuma desembarcou em Trípoli, duas figuras históricas da França chegaram na Líbia oferecendo ajuda a Kadafi. Roland Dumas, por duas vezes chanceler do governo François Mitterrand, e Jacques Vergès, advogado de líderes da resistência argelina e do carrasco nazista Klaus Barbie, estão oferecendo seus serviços para a defesa do ditador da Líbia, caso ele seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Dumas serviu como advogado do ditador iraquiano Saddam Hussein. Vergès, além da defesa de Barbie - chefe das SS em Lyon, que desmantelou grande parte da resistência francesa durante a ocupação nazista -, representou nos tribunais o célebre terrorista Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como "Carlos, o chacal", e líderes do Khmer Vermelho, do Camboja.

Além da defesa de Kadafi, os dois prometem entrar na Justiça internacional contra a Otan em nome de 13 famílias que perderam parentes nos recentes bombardeios.

Luis Moreno-Ocampo, procurador-chefe do TPI, solicitou a prisão de Kadafi e mais quatro integrantes da cúpula do regime líbio, alegando que o ditador e seus assessores cometeram "crimes contra a humanidade".

Mais deserções. Em um novo sinal de enfraquecimento do governo da Líbia, oito militares de alta patente - incluindo cinco generais - que serviam ao ditador apareceram em Roma. Após desertar, os oficiais exortaram seus colegas a seguir seu exemplo. Vários integrantes do comando militar líbio, além de três ministros, já abandonaram o regime de Kadafi. / AP e WASHINGTON POST

Pressão externa

JACOB ZUMA

PRESIDENTE DA ÁFRICA DO SUL

"(Kadafi) está pronto para implementar o mapa para paz. (...) Ele insiste que se dê a todos os líbios uma oportunidade de diálogo"

Al-Jazira

Rede de TV do Catar registrou imagens de supostos militares de elite da Grã-Bretanha no front contra forças do ditador Muamar Kadafi, no oeste da Líbia

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