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Em últimos dias, administração Obama correu para preservar dados da ligação de Trump com Rússia

Funcionários do governo democrata temiam que, com a mudança de poder, informações pudessem ser encobertas ou destruídas

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 11h21

WASHINGTON - Nos últimos dias da gestão do ex-presidente Barack Obama, alguns funcionários da Casa Branca se envolveram em um esquema de divulgação de informações sobre os esforços russos para interferir nas eleições americanas e as possíveis conversas entre o líder eleito Donald Trump e Moscou. Ex-membros do governo dizem que eles tinham dois objetivos: garantir que isso não acontecesse novamente nas eleições americanas ou europeias, e deixar uma pista clara para os investigadores da nova liderança da Casa Branca.

Aliados dos americanos, incluindo britânicos e holandeses, forneceram informações descrevendo os encontros em cidades europeias entre oficiais russos e membros da equipe de Trump, de acordo com três ex-funcionários que não quiseram se identificar. Ao mesmo tempo, agências de inteligência americanas interceptaram diálogos entre funcionários do Kremlin e aliados do magnata.

As descobertas surgem ao mesmo tempo em que novas dúvidas são levantadas sobre o secretário de Justiça dos EUA, Jeff Session, e seus contatos com Moscou. Segundo um ex-funcionário da Casa Branca, ele se encontrou com o embaixador Serguei Kislyak duas vezes em 2016, e não mencionou os encontros em sua sabatina no Senado, realizada em janeiro. Na quarta-feira 1.º, Sessions afirmou em nota que “nunca se encontrou com oficiais russos para discutir assuntos de campanha”. “Não sei do que se tratam essas acusações”, afirmou.

Trump negou que sua campanha teve contato com funcionários russos. Ele chegou a sugerir que agências de espionagem americanas teriam inventado as informações, e acusou a gestão Obama de divulgá-las para desacreditar o novo governo.

Ainda na gestão Obama, as declarações do republicano provocaram medo de que as informações poderiam ser encobertas ou destruídas e as fontes, reveladas, assim que o novo presidente tomasse posse. O que se seguiu foi um esforço para preservar os dados que revelavam a profunda ansiedade com a qual a Casa Branca e as agências de inteligência enxergavam a ameaça representada por Moscou.

Os membros do governo também refletiam sobre a suspeita de que a campanha de Trump poderia ter conspirado com a Rússia no caso sobre os e-mails hackeados durante as eleições americanas, fato não confirmado por Washington. Ex-funcionários da administração Obama afirmaram que nenhum dos esforços foram ordenados por ele.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que “a única informação que surgiu é que os nomeados políticos na gestão Obama procuraram criar uma narrativa falsa como pretexto para sua própria derrota nas eleições”.

Conforme o dia da posse de Trump se aproximava, membros do governo democrata ficavam cada vez mais convencidos de que as informações eram condenatórias e precisavam garantir que o maior número de pessoas tivesse acesso a elas. Alguns começaram a questionar os relatórios de inteligência, sabendo que as respostas seriam arquivadas e poderiam facilmente ser descobertas pelos investigadores, incluindo a Comissão de Inteligência do Senado - que anunciou em janeiro as investigações sobre os esforços da Rússia para influenciar as eleições nos EUA. / THE NEW YORK TIMES

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