Em uma semana, cem já morreram na Faixa de Gaza

Já passa de cem o número de mortos na operação lançada por Israel contra o Hamas e grupos radicais palestinos na Faixa de Gaza, ofensiva que hoje completa uma semana. Enquanto violentos bombardeios continuavam a atingir o território palestino e foguetes eram lançados contra Israel, negociadores afirmavam, no Cairo, estar "muito próximos" de acertar um cessar-fogo, segundo o jornal Haaretz.

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

20 de novembro de 2012 | 08h33

Um dos líderes da facção Jihad Islâmica - Ramez Harb, que seria o responsável pelos mísseis de longo alcance de fabricação iraniana que foram disparados contra Tel-Aviv e Jerusalém - foi morto ontem e a aviação israelense voltou a atingir prédios que abrigam escritórios da mídia. Segundo moradores de Gaza, pela manhã a situação era mais tranquila do que nos dias anteriores e vários tentaram aproveitar a calma relativa para comprar mantimentos, temendo um ataque por terra a qualquer momento. Mas os disparos por ar e mar voltaram a se intensificar no período da tarde.

Fontes médicas do território afirmam que 24 crianças e 10 mulheres palestinas estão entre os mortos nos seis dias de conflito, que deixou ainda centenas de civis feridos. Quatro membros de uma família - duas crianças gêmeas e seus pais - foram mortos ontem.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou ontem ao Egito para intensificar a pressão por um cessar-fogo e hoje segue para Israel e Cisjordânia. O premiê egípcio, Hisham Kandil, disse a repórteres que há "sinais positivos" nas negociações entre israelenses e palestinos. Uma fonte do governo do Egito citada anonimamente pelo Haaretz, foi mais enfática: "Estamos muito perto de uma trégua. O que é preciso é de mais flexibilidade do lado de Israel. Amanhã (hoje) será um dia decisivo". Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Informação de Israel, Yuli Edelstein, afirmou que as armas silenciarão apenas quando Israel tiver garantias de que o sul do país estará livre das ameaças de foguetes "não por dias ou meses, mas por anos".

O líder máximo do Hamas, Khaled Meshal, afirmou no Egito que o governo de Binyamin Netanyahu pediu um cessar-fogo. Segundo Meshal, cabe a ele acabar com uma guerra "que Israel começou". Israel rapidamente desmentiu ter pedido qualquer trégua nos combates. Mas Meshal manteve-se desafiante e disse que, em caso de incursão terrestre em Gaza, os israelenses serão "enterrados" no território.

De olho no público interno, Hamas e Israel apresentam exigências para um cessar-fogo que dificilmente serão alcançadas. O grupo palestino coloca como precondição para o diálogo o fim do bloqueio israelense a Gaza e dos assassinatos de seus líderes. Netanyahu, que enfrentará eleições em janeiro, quer o fim de todos os disparos de foguetes por todos os grupos em Gaza, além de uma ação internacional para impedir que o Hamas se rearme. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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