Henry Romero/Reuters
Henry Romero/Reuters

Em versão mexicana da Lava Jato, diretor de petrolífera denuncia ex-presidentes em Caso Odebrecht

Emilio Lozoya acusa políticos do alto escalão de terem recebido subornos milionários da construtora brasileira

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2020 | 12h29

CIDADE DO MÉXICO - Emilio Lozoya, diretor da petroleira Pemex entre 2012 e 2016 e um dos homens mais próximos do então presidente Enrique Peña Nieto, acusa ex-presidentes, ex-ministros, governadores e deputados de terem recebido subornos milionários da construtora Odebrecht para votar a favor da reforma energética no país. Os dados estão na denúncia de 63 páginas que foram vazadas para a imprensa mexicana nesta sexta-feira, 21.

A denúncia foi apresentada ao Ministério Público Federal na semana passada, e divulgada pela imprensa mexicana em 11 de agosto. Nela, o ex-CEO da estatal petrolífera Petróleos Mexicanos (Pemex) Emilio Lozoya, preso, acusa 16 políticos de terem recebido grandes quantias em dinheiro, incluindo três ex-presidentes: Enrique Peña Nieto, Felipe Calderón e Carlos Salinas de Gortari. 

Além das acusações contra os ex-presidentes, Lozoya também afirma a Odebrecht pagou subornos milionários a dois ex-ministros, três atuais governadores, dois ex-diretores da petroleira Pemex, um ex-candidato presidencial da direita e vários senadores dos dois partidos que governaram o México nos últimos 90 anos: o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o conservador Ação Nacional (PAN).

Na denúncia, Lozoya confessa que foram distribuídas maletas de dinheiro da construtora Odebrecht para a campanha de Peña Nieto e para diversos deputados, a fim de que promovessem a reforma energética – uma polêmica mudança jurídica considerada uma das reformas mais importantes do governo de Peña Nieto, que permitiu a entrada de empresas privadas na exploração do petróleo mexicano.

Segundo Lozoya, todos os pagamentos foram feitos por ordem de Luis Videgaray, secretário da Fazenda e homem forte de Peña Nieto durante seus seis anos de governo. O ex-diretor da Pemex admite, contudo, que já conhecia Luiz Weyll, diretor da Odebrecht México, antes de se incorporar à campanha de Peña Nieto e que o ajudou em diversos negócios no país. "Mas, em 2013, a Odebrecht já tinha o presidente do seu lado. Em 2013, a relação entre a Odebrecht e o Estado mexicano não era uma relação de contratos, e sim de poder". 

No documento, "Lozoya detalha datas, lugares e quantias específicas dos pagamentos realizados", segundo a imprensa mexicana. "Além de mencionar nomes e cargos concretos, as 63 páginas são um duro retrato da corrupção no México e do papel da Odebrecht e do PRI, uma aliança que 'submeteu' o Estado mexicano”, resume Lozoya em sua denúncia, segundo o jornal El País. Ele espera se livrar da prisão em troca dessa confissão. 

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