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Síria realiza eleição parlamentar amanhã em meio a novos combates

Tropas do governo e do aliado Hezbollah iniciam ofensiva para tentar retomar vilarejo ao sul de Alepo

O Estado de S. Paulo

12 Abril 2016 | 18h57

BEIRUTE - Forças do governo sírio lançaram nesta terça-feira, 12, uma ofensiva contra extremistas islâmicos no norte do país, na véspera das eleições parlamentares marcadas para amanhã – eleições nas quais o governo de Bashar Assad espera que seja escolhido um Legislativo leal ao presidente antes da nova rodada de negociações de paz em Genebra.

Segundo Damasco, as eleições, realizadas apenas em áreas controladas pelo governo, são constitucionais e independentes das conversas destinadas a pôr fim à guerra. Mas a oposição afirma que elas contribuem para um clima crescentemente desfavorável às negociações, ocorrendo em meio a uma luta que ameaça um cessar-fogo cada vez mais frágil negociado por EUA e Rússia.

A nova ofensiva, de tropas sírias e aliados, busca retomar um vilarejo estratégico localizado nas colinas ao sul da cidade de Alepo que está em poder de militantes, entre eles, integrantes do braço sírio da Al-Qaeda.

A TV Al-Manar, do grupo extremista libanês Hezbollah, que combate ao lado das forças sírias, confirmou a ofensiva para retomar o povoado de Tel al-Ais. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo de monitoramento dirigido por ativistas, afirmou que ocorrem choques em torno de Tel al-Ais e no povoado vizinho de Khan Touman.

Segundo o Observatório, dezenas de soldados e combatentes pró-governo foram mortos hoje na Província de Alepo. Não há números precisos.

Tel al-Ais fica perto de uma linha de abastecimento que liga a capital, Damasco, à cidade de Alepo, no norte – partes de Alepo estão ocupadas por grupos opositores desde 2012. Militantes tomaram Tel al-Ais no início do mês após pesados combates, ocorridos apesar da trégua obtida por EUA e Rússia. A trégua não inclui a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda.

A Coalizão Nacional Síria, grupo opositor com sede em Istambul, disse que a ofensiva em Alepo violou o cessar-fogo e advertiu que o acordo perderá todo sentido se os ataques continuarem. As negociações indiretas de paz patrocinadas pela ONU devem ser reiniciadas em breve em Genebra.

O enviado das Nações Unidas para a questão da Síria, Staffan de Mistura, vai se reunir com uma coalizão de organizações opositoras apoiada por Arábia Saudita, EUA e outras potências ocidentais. O governo sírio informa que sua delegação chegará a Genebra na sexta-feira.

De Mistura diz que a nova rodada de conversações terá como foco uma transição política na Síria, mas autoridades sírias afirmam que qualquer conversa que inclua a saída de Assad esbarra numa linha vermelha que não pode ser cruzada.

Em Damasco, às vésperas das eleições, as ruas estavam cheias de pôsteres de candidatos. A escolha do Parlamento sírio ocorre de quatro em quatro anos.

O tema dominante na campanha é a guerra massacrante, que já está no sexto ano. “De mãos dadas, reconstruiremos”, diz o slogan de um candidato escrito sobre sua foto. “Em nome de nossos filhos mortos, continuaremos”, lê-se em outro pôster.

Cerca de 3,5 mil candidatos, aprovados pelo governo, disputam as 250 cadeiras do Parlamento. Outros 7 mil ficaram fora da disputa.

As eleições, nas quais pela primeira vez soldados poderão votar, ocorrem só em áreas controladas pelo governo. Líderes ocidentais e oposicionistas denunciaram o processo como “vergonha” e “provocação”, solapando as conversações de paz.

O governo diz que a votação é constitucional e nada tem a ver com um mapa para a paz traçado por potências internacionais. / AP

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