Em vídeo, Saleh diz ter passado por 8 cirurgias

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, fez hoje sua primeira aparição pública desde que foi ferido em uma explosão no palácio presidencial, no início do mês passado. Em um breve vídeo veiculado pela emissora estatal de televisão, Saleh criticou aqueles que querem derrubá-lo e disse que eles têm uma "compreensão incorreta da democracia".

AE, Agência Estado

07 de julho de 2011 | 18h56

No vídeo de sete minutos de duração, Saleh estava perceptivelmente mais abatido e magro e tinha os braços engessados. Sentado rigidamente em uma cadeira e vestido de branco, ele relatou ter sido submetido "com êxito" a oito cirurgias, mas não revelou quando ou se regressaria ao Iêmen.

Yasser Yemani, líder do partido governista do Iêmen e aliado de Saleh, disse que o discurso "ajudou a esclarecer a situação e calou a boca de quem dizia que o presidente não estava bem de saúde". Já Mohammed al-Thahiri, líder dos protestos populares em Sanaa, considerou "estar claro que esse homem não tem mais condições de governar o país".

Saleh acusou "elementos terroristas" pelo ataque de 3 de junho contra o palácio presidencial, no qual ficou ferido, e qualificou o diálogo como única forma para solucionar a crise política no Iêmen. "Onde estão as pessoas conscientes? Onde estão as pessoas honestas? Onde estão os homens que temem e acreditam em Alá? Por que eles não se apresentam para o diálogo?", questionou Saleh. "Eles devem aparecer para conversar para que possamos encontrar soluções."

De acordo com o presidente iemenita, "algumas pessoas tiveram uma compreensão incorreta da democracia, por conta de práticas incorretas". Na mensagem em vídeo, Saleh não mencionou a proposta dos vizinhos do Iêmen por meio da qual ele cederia o poder em troca de imunidade. Antes de deixar o país, Saleh recusou-se em diversas ocasiões a assinar a proposta.

Saleh, que governa o Iêmen com mão de ferro desde 1978, também acusou seus opositores de terem adotado práticas "truculentas" e declarou-se um defensor da "democracia" e da "estabilidade". Mais de quatro meses de protestos populares pelo fim do governo de Saleh sacudiram a empobrecida nação da Península Arábica. O presidente recebe tratamento médico na Arábia Saudita desde 5 de junho.

Enquanto isso, autoridades locais informaram hoje que dez soldados iemenitas foram mortos ontem em uma emboscada atribuída a militantes islâmicos radicados no sul do país. As informações são da Associated Press.

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