Em vídeo, Zarqawi pede ampliação da resistência no Iraque

Em uma rara aparição em vídeo disponibilizada na internet nesta terça-feira, o líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, acusa o ocidente e os Estados Unidos de travar uma guerra de "cruzada" contra o Islã, advertindo que os mujahedines (guerreiros sagrados muçulmanos) continuarão resistindo firmemente contra a ameaça ocidental. A gravação, divulgada pela rede de TV catariana Al-Jazira, mostra o jordaniano sentado primeiro com três homens em uma sala, e depois caminhando junto a cerca de vinte simpatizantes em um terreno desértico aberto. Todos, com exceção de Zarqawi, vestem preto e estão com capuzes cobrindo seus rostos. O vídeo tem a data de 21 de abril de 2006 e foi gravado na província de Al Anbar, de acordo com uma inscrição na própria fita de vídeo. A Al-Jazira, como é habitual, não explicou como recebeu a gravação. Na gravação, Zarqawi critica as recentes pressões para a formação de um novo governo iraquiano, dizendo que foram uma tentativa de tirar os Estados Unidos do dilema em que o país se meteu no Iraque. "Quando o inimigo entrou no Iraque, seu objetivo era controlar a região", disse Zarqawi. "Mas, nos últimos três anos, aqui temos combatido eles." Esta é a primeira aparição em vídeo do líder da Al-Qaeda, que sempre fez suas declarações através de fitas de áudio disponibilizadas na internet - embora fotos do terrorista obtidas pelo governo americano já tenham circulado largamente. Em Washington, analistas da inteligência examinaram o vídeo. Dois funcionários do governo se recusaram a comentar a gravação imediatamente. Cenário O vídeo vem à tona apenas dois dias depois de uma fita de áudio atribuída ao líder supremo da Al-Qaeda, Osama bin Laden, ser amplamente divulgada pelos meios de comunicação mundiais. Na gravação, Bin Laden encoraja os muçulmanos a dar apoio a sua guerra contra o ocidente. Nesta segunda-feira, um triplo atentado a bomba em uma cidade turística egípcia matou ao menos 24 pessoas. Somado a tudo isso, há poucos dias o parlamento iraquiano nomeou um novo primeiro-ministro, demonstrando avanços para a formação de um governo de coalizão para o país. Nesse sentido, o vídeo pode ser interpretado como uma tentativa de Zarqawi de aumentar sua exposição em um momento em que os Estados Unidos comemoram os avanços no processo político iraquiano. Para analistas da administração americana, a formação de um novo governo deve desmotivar a insurgência iraquiana. O jordaniano Zarqawi foi o responsável por alguns dos mais sangrentos atentados suicidas no Iraque. Ele também reivindicou a autoria de outros ataques, incluindo o bombardeio de um hotel jordaniano em novembro. Nos últimos meses, no entanto, Zarqawi baixou significativamente suas aparições, diminuindo a divulgação de vídeos que atribuem ao seu grupo ataques contra as forças de coalizão. Segundo outros líderes radicais, essa nova postura seria o resultado do surgimento de críticas contra ele entre os árabes em decorrência do atentado contra o hotel jordaniano, quando vários muçulmanos morreram. No vídeo divulgado nesta quinta-feira, o terrorista reitera sua lealdade a Osama bin Laden e adverte contra as tentações de alguns grupos em declarar trégua no Iraque. Zarqawi também desmentiu os rumores que surgiram recentemente sobre sua possível saída do "Conselho de Mujahedin" - organização que supostamente reúne os principais grupos rebeldes iraquianos - e de sua "direção política". "Tenho a honra de ser membro do Conselho de Mujahedin, ao mesmo tempo em que sou o emir (príncipe) da Organização da Al-Qaeda na Mesopotâmia", diz Zarqawi.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 17h36

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