Em vigília, Obama pede fim de tragédias

Presidente diz que medidas são necessárias para evitar massacres como o de Newtown

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h04

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursou ontem em uma homenagem às vítimas do massacre que deixou 28 mortos na escola fundamental de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut e defendeu medidas para que tragédias como a de sexta-feira acabem, mas não citou explicitamente a necessidade de uma lei para o controle de armas.

"Vim aqui para trazer o amor e as preces da Nação. Estou ciente de que palavras não vão curar seus corações feridos nem aliviar a tristeza. Vocês não estão sozinhos na sua dor", disse o presidente. "Essas tragédias precisam acabar e precisamos fazer algo para mudar isso."

Obama elogiou a coragem dos sete professores e funcionários do colégio que morreram na sexta-feira, quando o atirador Adam Lanza invadiu a escola com duas pistolas e um fuzil e atirou indiscriminadamente contra crianças pequenas. Em um momento emocionante, ele leu o nome das vítimas.

Antes do discurso na escola de ensino secundário local, no final da noite, ele conversou com a família de Victoria Leigh Soto, a professora de 27 anos. Considerada heroína da tragédia, ela escondera seus alunos em armários ao ouvir os tiros e foi ao encontro do atirador, a quem disse que os estudantes estavam na sala de ginástica. Ele a matou, mas seus alunos saíram ilesos.

A visita de Obama teve como objetivo de trazer conforto às famílias das vítimas e repetiria seu gesto em Aurora, no Colorado, depois do massacre de 12 pessoas em uma cinema em julho.

Havia a expectativa de Obama voltar a defender a aprovação de uma nova legislação federal de controle do comércio de armas nos Estados Unidos, o que não aconteceu. A lei anterior fora revogada em 2004. Ontem, o governador de Connecticut, Dan Malley, defendeu a medida em entrevista à CNN.

Retificações. Ontem, foram esclarecidos dados divulgados e coletados inicialmente pela imprensa sobre o atirador, Adam Lanza, de 20 anos, e sua mãe e primeira vítima, Nancy.

Autoridades de ensino local informaram que Nancy nunca atuou como professora na escola Sandy Hook, como havia sido dito antes, mas não chegaram a confirmar nem a descartar se Adam havia estudado ali quando criança. Nancy foi descrita como uma mulher divorciada que concentrara-se na educação do filho, a ponto de retirá-lo da escola em alguns períodos e educá-lo em casa. Não foi confirmado se Adam, que tinha dificuldades de convívio social, tinha algum tipo de transtorno psiquiátrico.

Nancy foi descrita como uma entusiasta de armas, que ensinara os filhos a usá-las e mantinha em casa duas pistolas, ambas devidamente registradas. Seu ex-marido, Peter Lanza, executivo da GE Energy Financial Services, não adicionou elementos para explicar o episódio. "Nós também estamos perguntando o porquê", afirmou.

Com base nas informações coletadas pela polícia, a imprensa americana reconstruiu a sequência de atos de Adam. Ele usou uma das armas da mãe para matá-la, muniu-se de outras duas e dirigiu, no carro dela, até a escola primária. Não foi recebido voluntariamente, como dito nas primeiras horas depois do crime, mas quebrou uma vidraça, por onde ingressou no prédio. Ele usou apenas uma das armas, um fuzil Bushmaster .223, .

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