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Em vigília, sul-africanos se conformam com estado crítico de Mandela

Zuma diz que povo deve reconhecer que idade do líder antiapartheid aumenta seus problemas de saúde

O Estado de S. Paulo,

24 de junho de 2013 | 12h58

(Atualizada às 15h25) JOHANESBURGO - Os sul-africanos adotaram  uma postura melancólica de resignação diante da perspectiva iminente de se despedirem do ex-presidente Nelson Mandela, de 94 anos, internado em estado crítico num hospital. Madiba, como é carinhosamente chamado, é reverenciado pela maioria dos 53 milhões de habitantes do país como o arquiteto da democracia multirracial instaurada em 1994, após três séculos de domínio branco.

O presidente Jacob Zuma, que visitou Mandela na noite de domingo, disse que os médicos trabalham para dar conforto ao ex-presidente. "Mandela segue em estado crítico no hospital. Os médicos fazem tudo o que é possível para garantir seu bem-estar e conforto".

Zuma também refletiu sobre o estado de ânimo da nação numa entrevista coletiva em que anunciou que Mandela permanece em estado crítico. "Todos nós no país devemos aceitar que Madiba agora está idoso. À medida que ele envelhece, sua saúde irá perturbá-lo", disse Zuma, sem entrar em detalhes sobre o quadro clínico.

"Por causa do horário, ele já estava dormindo. Nós o vimos, olhamos para ele, e então conversamos um pouco com os médicos e a mulher dele", contou Zuma, acrescentando que a situação de Mandela não deve afetar a visita do presidente norte-americano, Barack Obama, à África do Sul na semana que vem.

Mandela foi internado há duas semanas por causa de uma infecção pulmonar. Na ocasião, seu estado foi descrito como grave, mas estável. Mas o agravamento do fim de semana causou uma perceptível mudança de tom no país, que passou pelas orações pelo restabelecimento para preparativos para uma despedida.

"Se for a hora dele de ir, pode ir. Desejo que Deus possa cuidar dele", disse a enfermeira Petunia Mafuyeka, que ia para o trabalho em Johanesburgo. "Vamos sentir muito a falta dele. Ele lutou por nós, para nos dar liberdade. Vamos nos lembrar dele todo dia. Quando ele se for, eu vou chorar." / REUTERS

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