Em Virgínia, candidato republicano anuncia conservador como vice

Mitt Romney, candidato republicano à Casa Branca, anunciou ontem que seu vice será Paul Ryan, deputado do Estado de Wisconsin. A escolha marca o fim de uma busca cuidadosa por um companheiro de chapa para enfrentar o presidente Barack Obama na eleição presidencial. "Paul tem um tremendo caráter", afirmou Romney, para em seguida se atrapalhar e chamá-lo de "o próximo presidente dos EUA".

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL , RICHMOND, EUA, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2012 | 03h04

O anúncio oficial foi feito na plataforma onde estava ancorado o navio de guerra desativado USS Wisconsin, em Norfolk, em Virgínia, um dos Estados americanos que serão decisivos na batalha pela Casa Branca, em novembro. Em discurso, Ryan chamou Romney de "o homem certo para liderar os americanos de volta à prosperidade e à grandeza".

Em seguida, ele atacou Obama. Segundo ele, o democrata é responsável pela pior recuperação econômica dos últimos 70 anos e pela queda de mais de US$ 4 mil na renda das famílias americanas desde 2008. "Qualquer que sejam as explicações, qualquer que sejam as desculpas, esse é um histórico de fracasso", disse Ryan. "Vivemos um momento diferente, perigoso. Não podemos desperdiçar mais quatro anos."

Romney e Ryan iniciaram ontem um roteiro de campanha por Virgínia. Nos próximos quatro dias, um ônibus com slogans de Mitt Romney cruzará hoje o Estado, entre as cidades de Norfolk e Ashland, em um esforço do republicano para se aproximar do eleitor.

Ontem, o mesmo caminho foi percorrido pelo ônibus do Partido Democrata pintado com a frase "Romney sobre a economia: terceirização, envio de dinheiro para o exterior e sem o pé na realidade".

O ônibus democrata não traz o presidente e candidato à reeleição Barack Obama, mas uma equipe de políticos e assessores cuja missão é desconstruir a campanha republicana em Virgínia. A propaganda republicana e a contrapropaganda democrata, em um único fim de semana, deixam claro que o Estado é um campo de batalha eleitoral.

Embora as pesquisas apontem pequena vantagem para Obama no Estado, os republicanos ainda têm chances vencer e levar os 13 votos de Virgínia no Colégio Eleitoral. Como a eleição americana é indireta, o próximo presidente será escolhido por um colegiado formado por 538 delegados de 50 Estados e da capital do país - ganha quem obtiver 270 votos.

O peso de cada Estado no Colégio Eleitoral depende de sua população. A Califórnia, o mais populoso, tem 55 votos. Wyoming, com apenas 500 mil habitantes, tem 3 votos. A maioria dos Estados é predominantemente republicano ou democrata. Por uma questão de racionalização de tempo e de recursos, esses lugares são geralmente ignorados na campanha presidencial.

No entanto, há Estados em que a disputa é parelha. São os chamados swing states, que podem pender tanto para o lado republicano quanto para o democrata. Eles serão decisivos em novembro. Por isso, ganharão atenção total das campanhas de Obama e Romney.

Entre todos os swing states, Virgínia é o mais peculiar. A crise não afetou tanto sua economia diversificada. As contas públicas mostram-se mais equilibradas e a taxa de desemprego é de 5,7% - abaixo da média nacional de 8,3%. A Casa Branca de Richmond, casarão construído em 1818, no centro da cidade, foi a segunda sede do governo dos Estados Confederados Americanos, a parcela sul dos EUA que declarou-se independente em 1861 para manter a escravidão. A secessão foi acompanhada pela Guerra Civil Americana, vencida pelo Norte, em 1865.

Estado vizinho a Washington, capital americana, Virgínia resistiu ao fim da política de segregação racial nos anos 60. Faculdades e escolas foram fechadas para não receber estudantes negros. Casamentos inter-raciais continuaram proibidos até 1967.

O cotidiano de Virgínia, segundo o músico de jazz Charles Hibbler, ainda está impregnado pelo pensamento conservador e pela reverência aos tempos da Guerra Civil. A bandeira confederada ainda é hasteada diante de casas e entusiastas vestem fardas com medalhas de antepassados. "A riqueza das fazendas de tabaco e algodão, multiplicada por várias gerações, ainda move a economia e os costumes de Virgínia", afirmou Hibbler, eleitor de Obama. "Não tenho dúvidas de que muitas pessoas daqui votarão em Romney porque é branco."

A deputada estadual democrata Jennifer McClellan tem uma leitura diferente. Acredita que o eleitor local seja pragmático e preocupado com o próprio bolso. "As pessoas daqui são conservadoras, do ponto de vista das contas públicas, mas moderadas quando se trata de questões sociais", disse. "A acusação dos republicanos de que Obama é um socialista não cola por aqui."

Nascida em uma família democrata de Virgínia, Christina Garnett, produtora de filmes de 33 anos, pretende repetir seu voto para Obama neste ano. No entanto, ela se confessa motivada, em parte, por sua aversão ao republicano. "Romney tem valores muito diferentes dos meus. É muito conservador em suas posições sobre os direitos sociais dos americanos. E, como sempre, veio da classe alta, está acima da curva para entender os problemas da classe trabalhadora do país", afirmou Christina.

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