AP Photo/Andy Wong
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Trump pede a Xi que se envolva mais na crise com Pyongyang e destaca necessidade de ação rápida

Apesar de Pequim ter aprovado sanções da ONU contra Coreia do Norte, Washington quer mais medidas para poder asfixiar economicamente o regime de Kim Jong-un

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 05h22
Atualizado 09 Novembro 2017 | 14h11

PEQUIM - O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira, 9, ao líder chinês, Xi Jinping, um envolvimento maior para resolver a crise com a Coreia do Norte, ao mesmo tempo que destacou a necessidade de uma ação mais rápida. O republicano afirmou que acredita em "uma solução" para a situação e agradeceu a recepção "calorosa" de Xi, abandonando o discurso da campanha eleitoral de que Pequim "roubava" empregos dos americanos e era, portanto, "inimigo" da nação. Além disso, ele anunciou acordos comerciais de mais de US$ 250 bilhões com os chineses.

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"O tempo passa, temos que atuar rapidamente", disse o republicano durante o segundo dia de sua visita a Pequim. "Peço à China que se envolva de forma plena", completou, antes de pedir à Rússia que também pressione o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

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Embora a China tenha aprovado as últimas sanções da ONU contra a Coreia do Norte, com a promessa de aplicá-las, Washington deseja mais medidas de Pequim para asfixiar economicamente Pyongyang.

"A China pode resolver este problema fácil e rapidamente", disse Trump. "Peço à Rússia ajuda para solucionar esta situação que é potencialmente dramática", completou.

Depois de visitar de forma privada a Cidade Proibida e assistir a uma ópera chinesa, nesta quinta-feira Trump foi recebido por Xi no imponente Grande Salão do Povo. “Nossa reunião esta manhã foi excelente. Conversamos sobre a Coreia do Norte e acredito, como ele, que existe uma solução", declarou o presidente americano dirigindo-se ao líder chinês.

Xi, que exortou em várias ocasiões Washington e Pyongyang a negociar para resolver a crise de forma pacífica, disse a Trump que seus países deveriam "fortalecer a comunicação e a coordenação nos principais temas internacionais e regionais, incluindo Coreia do Norte e Afeganistão".

Contudo, analistas duvidam que a China adotará as medidas drásticas desejadas por Trump, como a suspensão das exportações de petróleo para a Coreia do Norte, já que Pequim teme que uma pressão muito forte poderia provocar o colapso do regime de Pyongyang.

"Xi poderia 'fazer mais' sobre a Coreia do Norte, mas nunca vai fazer tudo o que os EUA pedem porque tem um enorme interesse na manutenção da estabilidade do regime na Coreia do Norte", explica Sam Crane, especialista em história da China do Williams College.

Comércio

As relações comerciais com a China eram o outro grande tema da visita. "Eu não culpo a China. Afinal, quem pode culpar um país por ter a capacidade de se aproveitar de outro pelo bem de seus cidadãos?", destacou Trump.

O presidente afirmou, no entanto, que culpa as administrações americanas anteriores por "permitirem que o déficit comercial fora de controle aconteça e cresça". Durante a campanha eleitoral, o republicano prometeu reduzir o desequilíbrio da balança comercial com a China e acusou Pequim de "roubar" milhões de empregos dos EUA.

"Temos de solucionar isto porque não funciona para as grandes empresas americanas e não funciona para nossos grandes trabalhadores americanos. Simplesmente não é sustentável", completou. Nos 10 primeiros meses do ano, o déficit comercial americano com a China alcançou US$ 223 bilhões.

Em seu discurso, Xi disse que China dá boas-vindas à comunidade empresarial internacional. "Prosseguir com a abertura é nossa estratégia a longo prazo. Não vamos estreitar ou fechar nossas portas. Vamos abrir mais e mais", afirmou.

Trump e Xi anunciaram nesta quinta-feira uma série de acordos comerciais por um valor total de US$ 253,4 bilhões. Os pactos em setores variados, como energia, automotivo, aeronáutica, indústria alimentícia e eletrônica, foram assinados durante a reunião dos dois presidentes em Pequim. Os acordos incluem os documentos assinados na quarta-feira, por um total de US$ 9 bilhões.

Alguns acordos assinados são apenas protocolos não vinculantes, mas os valores são gigantescos, e entre os beneficiários estão grandes empresas como DowDuPont, Caterpillar, General Electric, Honeywell ou Qualcomm. / REUTERS e AFP

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