AFP PHOTO / TONY KARUMBA
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Em visita à cidade de seu pai no Quênia, Obama critica divisão étnica e prega reconciliação política

Ex-presidente americano enfatiza combate à corrupção em evento organizado por sua meia-irmã; quenianos o consideram membro da comunidade

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 17h07

NAIRÓBI - O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, e o líder da oposição no país, Raila Odinga, por trabalharem juntos. No entanto, ressaltou que o país, na África Oriental, ainda precisa fazer mais para acabar com a corrupção. Em sua primeira visita ao continente desde que deixou o cargo, Obama incentivou a cooperação entre base e oposição após a disputada eleição presidencial do ano passado, marcada pela violência.

"Apesar do conflito que parece estar em todas as eleições, agora temos um presidente e um líder da oposição que prometeram construir pontes e fizeram compromissos específicos para trabalhar juntos", disse Obama. Ele falou à população em Kogelo, no condado de Siaya, zona rural onde seu pai nasceu, nesta segunda-feira, 19.

"O que temos aqui no Quênia é parte do surgimento de uma África mais confiante, mais autossuficiente. Mas nós sabemos que o progresso real significa lidar com os problemas que permanecem. Significa erradicar a corrupção que enfraquece a vida cívica", ressaltou.

Outros desafios enfrentados pelo Quênia, disse Obama, são o tribalismo e a necessidade de uma educação melhor. Ele visitou o país como senador, em 2006, e depois como presidente, em 2015 e tem instado fortemente a população a enfrentar a corrupção endêmica e os problemas em torno das divisões entre os grupos étnicos do país.

Em 2006, ele enfureceu o governo do presidente Mwai Kibaki, quando deu uma palestra sobre corrupção na Universidade de Nairóbi. O porta-voz do governo respondeu chamando Obama de "jovem inexperiente que não poderia ensinar o Quênia a administrar seus assuntos".

Obama foi a Kongelo para lançar um centro de esportes e treinamento fundado por sua meia irmã, Auma Obama, por meio de sua fundação Sauti Kuu. Milhares de quenianos foram a Kongelo para vê-lo, mas muitos não puderam entrar no local por motivos de segurança.

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"Estamos aqui para receber nosso irmão Barack Obama, mas enfrentamos desafios porque não podemos ver nosso filho", disse o agricultor Boniface Rachula, que não pôde participar do evento. "Queríamos exaltar Barack Obama pelo que ele fez. De fato ele desenvolveu a comunidade ao dar chapas de ferro para as pessoas construírem suas casas", disse.

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A visita de Obama ao Quênia é discreta, ao contrário de suas viagens anteriores. Muitos quenianos consideram Obama como um nativo de seu país, um garoto local, e apreciam seu sucesso, apesar de o ex-presidente nunca ter vivido na África. Ele nasceu no Havaí, onde passou a maior parte de sua infância e foi criado pela mãe, uma americana branca do Texas. Obama mal conheceu o pai, um economista, mas levou seu nome.

"É uma alegria estar com tantas pessoas que são família para mim e tantas pessoas que afirmam ser família para mim. Todo mundo é primo", disse Obama, em tom de brincadeira. Mais tarde na segunda-feira, ele partiu para a África do Sul, onde fará a palestra anual Nelson Mandela. Em 2018, celebra-se o centésimo aniversário do ícone anti-apartheid. / AP

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