AFP PHOTO/ MAXIM SHEMETOV
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Em visita à Rússia, Duterte declara lei marcial no sul das Filipinas

Medida estará em vigor durante 60 dias, conforme o limite que marca a Constituição; presidente deixa Moscou antes do previsto

O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2017 | 21h15

MOSCOU - O presidente filipino, Rodrigo Duterte, declarou lei marcial na região de Mindanao, nesta terça-feira, 23, depois de confrontos letais entre as forças de segurança e militantes de um grupo ligado ao Estado Islâmico (EI) na cidade de Marawi, de maioria muçulmana.

"Às 22h (locais, 11h em Brasília), Duterte declarou lei marcial em toda a ilha de Mindanao", anunciou o porta-voz do presidente, Ernesto Abella, em pronunciamento pela televisão. Abella afirmou que a lei marcial estará em vigor durante 60 dias, conforme o limite que marca a Constituição.

Mindanao é formada por uma ilha grande que leva o mesmo nome e várias ilhas menores, onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas.

Em função desses confrontos, Duterte encurtou sua viagem a Moscou. Ele chegou a ser recebido pelo presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça à noite no Kremlin.

"Unidades do Estado Islâmico ocupam uma província (filipina), e há enfrentamentos, uma operação militar está em curso agora. Infelizmente, devo retornar", afirmou Duterte no início do encontro, segundo declarações traduzidas para o russo.

"Entendemos muito bem e respeitamos o fato de que você deva voltar imediatamente para seu país", respondeu o presidente Putin, apresentando suas condolências a Duterte por esse "ataque terrorista".

"Nosso país precisa de armamentos modernos (...) para lutar contra o EI. Precisamos de armas", frisou Duterte. "Fizemos encomendas aos Estados Unidos, mas a situação é um pouco complicada", acrescentou, sem dar detalhes.

Em um telefonema no início de maio, o presidente americano, Donald Trump, convidou o colega filipino a ir a Washington.

Um policial e dois soldados morreram nos choques em Mindanao, que começaram quando policiais e soldados invadiram uma casa onde estaria escondido Isnilon Hapilon, líder do grupo Abu Sayyaf e chefe do braço do EI nas Filipinas.

Instalado em Mindanao, o grupo Abu Sayyaf sequestrou centenas de filipinos e de estrangeiros desde o início dos anos 1990 para obter dinheiro com os resgates. Também assumiu a autoria dos piores atentados ocorridos no país, incluindo aquele cometido em 2004 em um ferry na baía de Manila. Nesse ataque morreram mais de 100 pessoas. / AFP

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