Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Em visita surpresa ao Iraque, Trump defende presença americana no país para agir na Síria

Presidente americano afirmou que base pode ser usada para atacar Estado Islâmico no país vizinho e voltou a defender sua decisão de retirar os soldados da Síria

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2018 | 18h15
Atualizado 26 de dezembro de 2018 | 21h06

BAGDÁ - Menos de uma semana depois de determinar a retirada dos soldados americanos da Síria e causar uma revolta interna nos departamentos de segurança nacional que levou ao pedido de demissão do Secretário de Defesa James Mattis, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma visita surpresa à uma base aérea do país no Iraque. Ele defendeu a manutenção das tropas americanas no país caso seja necessário agir na Síria.

“Não podemos mais ser a polícia do mundo. Não queremos mais ser explorados por países que nos usam e usam nossos militares incríveis para protegê-los. Eles não pagam por isso e vão ter que pagar”, disse Trump a generais na Base Aérea de Al Asad, 180 quilômetros a oeste de Bagdá, onde ele, a primeira-dama, Melania Trump, e o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, passaram três horas com soldados. “Na verdade, poderíamos usar nossos soldados nesta base e nossos recursos no Iraque se quiséssemos fazer algo na Síria.”

Visitar as tropas no exterior é uma tradição mantida pelos presidentes americanos. George W. Bush serviu o peru de Ação de Graças aos soldados em Bagdá em 2003, nos primeiros dias da Guerra do Iraque. Obama voou para Bagdá em abril de 2009, quatro meses depois de sua posse. Ele visitou o Afeganistão quatro vezes enquanto estava no cargo.

Trump ainda não havia visitado soldados alocados fora do território americano, em dois anos de governo – o que lhe rendeu enormes críticas. Ao discursar em sua primeira visita, Trump defendeu a decisão de retirar os dois mil soldados que estão na Síria e reduzir pela metade o contingente militar americano no Afeganistão. “É um desperdício ficarmos tanto tempo aqui, e lamentável que minha visita ainda exija tanto esforço de segurança”, disse.

Há uma semana, Trump anunciou que os EUA haviam derrotado o Estado Islâmico (EI), e a presença militar do país na Síria não era mais necessária. A decisão de retirar os soldados americanos do país foi criticada por aliados e pela oposição. Eles temem que o vácuo deixado pela retirada facilite o ressurgimento do EI e, ao mesmo tempo, deixe desamparados os aliados americanos que ajudaram no combate ao grupo, como os curdos. A retirada provocou um terremoto interno e levou à saída de dois altos oficiais americanos, um deles o secretário de Defesa, James Mattis.

No dia seguinte ao anúncio da retirada da Síria, Trump ordenou ao Departamento de Defesa que retire quase metade dos mais de 14 mil soldados enviados para o Afeganistão, apesar das advertências de seus principais assessores e oficiais militares de que a medida poderia provocar estimular o terrorismo.

Trump descreveu o envolvimento dos EUA no Afeganistão como um “desperdício completo” e prometeu trazer para casa os soldados. Autoridades americanas alertaram que, na ausência de um acordo de paz com o Taleban, o Afeganistão pode entrar em colapso e cair em turbulências depois de uma retirada precipitada.

Os EUA mantêm 5.200 soldados no Iraque, a maioria no oeste do país, perto da fronteira síria. A ideia de Trump de usar estes soldados para combater na Síria é controvertida. Para analistas ouvidos pela imprensa americana, seria um risco deslocar as tropas. “O deslocamento não é tão fácil quanto parece, a partir das bases mais próximas da fronteira síria”, disse ao site americano Vox Renad Mansour, especialista em Iraque da Chatham House, um think tank em Londres. “Além da logística, há um risco para a segurança dos soldados, que ficariam expostos a ataques surpresa no meio do caminho e a emboscadas, como aconteceu centenas de vezes durante a Guerra no Iraque.”/ NYT, W. POST e AFP

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