Kevin Lamarque/Reuters
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Biden adota agenda oposta à de Trump em Kenosha e prega igualdade racial

Em visita à cidade de Kenosha, dois dias após a passagem do presidente americano, candidato democrata visita vítimas da violência policial e se encontra com parentes de Jacob Blake, negro baleado pelas costas por um policial branco

Beatriz Bulla / Enviada Especial a Kenosha, EUA, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 15h52
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 21h29

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, adotou nesta quinta-feira, 3, uma agenda oposta à de Donald Trump durante visita à cidade de Kenosha, no Estado de Wisconsin. Dois dias antes, o presidente foi à cidade e se reuniu com policiais. Já Biden preferiu se encontrar com a família de Jacob Blake, negro atingido pelas costas por tiros disparados por um policial branco, episódio que desatou uma onda de protestos na semana passada.

Biden fez uma reunião reservada de uma hora com os parentes de Blake no aeroporto de Milwaukee, logo que desembarcou em Wisconsin. Depois, em encontro com líderes comunitários em uma igreja, ele revelou ter conversado por 15 minutos por telefone com Blake – que está no hospital – e se comprometeu com a promoção da igualdade racial. “A família foi grata pelo encontro e ficou muito impressionada que Biden esteja tão disposto a ouvir”, disse Ben Crump, advogado da família. 

Trump usou a ida a Wisconsin para reforçar a plataforma “da lei e da ordem” de sua campanha. O presidente não procurou os parentes de Blake, não criticou a polícia, negou a existência de um racismo sistêmico no país, defendeu o jovem de 17 anos que atirou e matou dois manifestantes e, depois de posar para fotos nos escombros deixados pelas manifestações, chamou os protestos de “atos de terrorismo doméstico”.

Nas ruas, os manifestantes têm cobrado uma reforma na polícia que reconheça a existência de um racismo sistêmico, que influencia como negros são tratados pelos policiais. A campanha de Biden abraçou a pauta, mas tem criticado os atos de violência e defendido protestos pacíficos – uma tentativa de conter os ataques de Trump, que afirma que, sob um governo democrata, as cidades americanas podem ficar reféns de “anarquistas e bandidos”.

Hoje, Biden disse que o país chegou a um ponto de inflexão e prometeu lutar por igualdade racial. “Há certas coisas pelas quais vale a pena perder sempre. E vale a pena perder sempre por isso. Mas não vamos perder”, disse. Do lado de fora da igreja, algumas dezenas de apoiadores de Biden esperavam pela saída do democrata. 

“Agora, estamos finalmente chegando ao ponto em que vamos abordar o pecado original deste país: a escravidão e todos os seus vestígios”, disse Biden. “Não posso garantir que tudo se resolverá em quatro anos. Mas posso garantir uma coisa: será muito melhor, avançaremos muito mais.”

O clima em Kenosha hoje era muito diferente do de terça-feira, quando Trump desembarcou na cidade. Autoridades locais temiam um confronto entre grupos pró e contra o presidente. Apesar da tensão, o dia acabou sem violência.

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A viagem a Kenosha foi um marco na campanha de Biden, que tem dado preferência a eventos próximos à cidade onde mora, em Delaware, desde que a pandemia começou. Em 2016, os democratas perderam em Wisconsin, que não votava em republicanos desde 1984, quando Ronald Reagan venceu a eleição no Estado. 

Na última eleição, Hillary Clinton não visitou Wisconsin, o que foi considerado um erro dos democratas. Neste ano, o partido decidiu fazer a convenção no Estado, mas Biden fez uma participação apenas virtual.

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