Em Wisconsin, os ricos subúrbios respaldam Romney

No Estado do vice da chapa republicana, porém, perfil da maioria dos eleitores resulta em sólida base democrata

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / MADISON, EUA, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h02

Desde 1988 os democratas têm vencido todas as eleições presidenciais em Wisconsin. Desta vez, o candidato a vice na chapa republicana, o deputado Paul Ryan, vem daqui. Ryan ainda não foi capaz de assegurar a vitória no seu Estado, mas a média das pesquisas, calculada pelo Real Clear Politics, coloca a disputa nas margens de erro para baixo e para cima: 49,7% para Barack Obama e 46% para Mitt Romney.

O perfil da população de Madison, a capital de 233 mil habitantes (o Estado tem 5,7 milhões), resulta numa sólida base democrata, observa David Canon, professor de ciência política da Universidade de Wisconsin: funcionários do governo estadual; uma comunidade universitária de 42 mil estudantes, professores e servidores; pequenos empresários, cientistas e trabalhadores altamente capacitados do polo industrial de softwares e instrumentos científicos situado no oeste de Madison; operários sindicalizados da fabricante mundial de alimentos Kraft Foods.

Além disso, na periferia sul de Madison, há um cinturão de pobreza habitado por negros e latinos, que também tendem a votar em Obama. Entretanto, Wisconsin é um Estado de maioria branca mais acentuada que o país como um todo: 88,4% da população, enquanto que nos EUA são 78,1%; os negros são apenas 6,5% (12,6% nos EUA) e os latinos, 6,1% (16,7% no país).

É a classe média branca de alto grau de instrução que forma o grosso do eleitorado democrata. Pessoas como o economista aposentado Bruce Davis, de 65 anos, que trabalhava na área de planejamento financeiro, e hoje é voluntário de uma entidade que ajuda a levantar recursos do governo federal.

"O governo de Obama não é suficientemente liberal para mim", diz Davis, usando o termo no sentido americano, que significa "de esquerda". Davis gostaria que os EUA tivessem um sistema de saúde inteiramente público, como no Canadá e na Inglaterra. Seu filho Tyler, de 19 anos, estudante de economia, também dará seu primeiro voto a Obama: "Estou preocupado com a economia. Vou me formar dentro de dois anos e precisarei achar um emprego."

Ou o casal Steven Goodman, de 57 anos, engenheiro biológico, dono de uma empresa que desenvolve microscópios para laboratórios, e Bobbi Tennenbaum, de 52 anos, que trabalha numa firma de avaliação de programas de eficiência energética. Eles elencam inúmeras razões para votar nos democratas, como o investimento em pesquisa científica e em energia limpa, a "separação Igreja-Estado" (que envolve a legalidade do aborto) e a reforma do sistema de saúde.

O que faz pender a balança de Wisconsin para o lado republicano são os ricos subúrbios em torno das cidades e as áreas rurais. Mesmo em Janesville, a cidade de 63 mil habitantes de onde Ryan é originário, o repórter encontrou um eleitorado dividido. "Temos de tirar o governo das nossas vidas o máximo que pudermos", resumiu Curt Goodwick, de 45 anos, instalador de uma empresa de telefonia, que tem uma placa de Ryan em seu jardim. Já Tayla Beall, de 24 anos, disse: "Olhei algumas coisas que o Romney diz e realmente não parece que são para mim. Estou abaixo da linha da pobreza. Tenho de me preocupar com meus dois filhos."

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