Reprodução/Divulgação
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Embaixada africana atribui apreensão de fortuna com filho de ditador a eleição no Brasil

Fontes do Ministério das Relações Exteriores negam conflito entre a pasta e a Receita Federal

O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 16h16

BRASÍLIA - A embaixada da Guiné Equatorial no Brasil atribui em nota, nesta segunda-feira, 17, o incidente com o vice-presidente, Teodoro Obiang Mangue, conhecido como Teodorin, que teve dinheiro e relógios apreendidos pela Receita Federal na última sexta-feira, a um “desacerto entre duas autoridades políticas e administrativas brasileiras, que só pode ser atribuído ao período de campanha eleitoral que se vive neste momento.” 

A nota faz referência a um suposto bate-cabeça entre o Itamaraty, que teria pedido a liberação das bagagens sem vistoria e a Receita Federal, que insistiu em fazer a fiscalização e apreendeu os itens.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores negam que esse conflito tenha ocorrido. Segundo elas, a pasta deu sinal verde para a ação dos fiscais.

Questionado sobre a razão de a nota fazer referência ao período eleitoral, o primeiro-secretário da embaixada, Leminio Akuben, atualmente a autoridade máxima do país no Brasil, não soube explicar. “Foi um pequeno lapso”, disse ele ao Estado, por telefone. “Não tem nada a ver.”

Ao longo do último fim de semana, circulou em redes sociais a suposição de que o dinheiro trazido pelo vice-presidente teria destino eleitoral. “Isso é uma mentira. Nada a ver. Absolutamente, não. Nada, nada. Nada a ver com o processo eleitoral”, enfatizou Akuben.

Na última sexta-feira, Teodorin, filho do ditador da Guiné Equatorial e vice-presidente do país, aterrissou no aeroporto de Viracopos em seu avião particular. A bagagem foi vistoriada e os fiscais da Receita apreenderam US$ 1,5 milhão em dinheiro vivo não declarado, em várias moedas, e cerca de 20 relógios de luxo. No total, os bens foram estimados em US$ 16 milhões.

R$ 10 mil

Teodorin deixou o Brasil na manhã do domingo, levando R$ 10 mil liberados pelos fiscais. O restante segue retido. Segundo fontes da Receita, Teodorin poderá ser denunciado por lavagem de dinheiro.

A Receita e a Polícia Federal verificarão a origem do dinheiro. Caso o Ministério Público entenda que o recurso possa ser fruto de corrupção, mesmo praticada na Guiné, a ocultação dele e sua não declaração à Receita podem ser indícios suficientes para os promotores oferecerem uma denúncia por lavagem de dinheiro. 

No ano passado, Teodorin recebeu uma sentença de 3 anos na França por lavar dinheiro de corrupção com a aquisição de imóveis. Ele é alvo de investigações semelhantes na Suíça, na África do Sul, na Espanha e nos Estados Unidos. / Lu Aiko Otta, Lorenna Rodrigues, Jamil Chade

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