AP Photo/Michael Sohn
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Embaixada brasileira em Berlim é alvo de ataques de pedras e de pichações

Danos materiais podem chegar a 100 mil euros; polícia alemã investiga se crime tem motivação política

Jamil Chade, Correspondente/ Genebra, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 08h46
Atualizado 01 de fevereiro de 2019 | 13h21

Pela segunda vez em menos de dois meses, a Embaixada do Brasil em Berlim foi alvo de um ataque. A polícia da Alemanha investiga se existe alguma motivação política que explique os incidentes contra a representação brasileira.

 De acordo com o inquérito inicial, pessoas encapuzadas quebraram os vidros da entrada do prédio e uma tinta rosa e negra foi jogada contra o muro. O incidente teria ocorrido de madrugada, deixando 16 janelas quebradas. Segundo a imprensa local, os danos podem ter chegado a 100 mil euros.  

A segurança do prédio indicou para a polícia que quatro pessoas fizeram parte do ataque, com barras de ferro, extintores e ovos. 

Diante da repetição dos ataques, a suspeita é de que haja alguma motivação política. Por isso, o caso passou a ser investigado pela Staatsschutz de Berlim. Não está descartado que o grupo seja o mesmo que também atacou, um dia antes, a filial da empresa Amazon, em Berlim. 

De acordo com o Itamaraty, "seis vândalos que atacaram com barras de ferro um vigia desarmado". "A polícia foi acionada imediatamente. Além da imediata limpeza e substituição dos vidros, opções para reforçar a segurança estão sendo avaliadas (grades/muro/guarda armado ostensivo)", indicou o governo. "Outras medidas para a proteção do patrimônio também serão tomadas", completou o Itamaraty.

 Num breve comunicado, a representação brasileira na Alemanha acrescentou que “a Embaixada do Brasil em Berlim foi alvo de ato de vandalismo”. “As autoridades policiais foram imediatamente contatadas e estão investigando o ocorrido", afirmou.

No início de janeiro, a fachada do prédio em Berlim acordou pintada com frases contra o fascismo. “Lutaremos contra o fascismo no Brasil”, dizia uma delas. O ato ocorreu um dia depois de outro protesto. Um grupo de jovens invadiu a embaixada do Brasil na Nova Zelândia, também em manifestação contra o fascismo. 

Pelas redes sociais, o grupo OA apenas explicou que exigia "a expulsão do embaixador brasileiro na Nova Zelândia e a retirada do embaixador neozelandês no Brasil. Não nos relacionamos com nações fascistas! #nobolsonaro”

Essa não é a primeira vez que a embaixada é alvo de um protesto. Em 2014, às vésperas da Copa do Mundo, pessoas encapuzadas lançaram de pedras contra as mesmas janelas que agora foram alvo de pichadores.

Naquele momento, a polícia de Berlim não excluiu uma motivação política para o ataque, enquanto a imprensa local apostava em uma relação entre o evento no Brasil e os ataques. A suspeita, naquele momento, apontava para grupos anarquistas. 

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