Embaixada brasileira na Venezuela enfrenta novo panelaço

A oposição ao governo Hugo Chávez voltou esta terça-feira a protestar contra o apoio do Brasil ao presidente venezuelano e contra a "interferência" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "em assuntos internos do país".Um grupo de pouco mais de 40 pessoas fez um novo panelaço emfrente à Embaixada brasileira em Caracas gritando palavras deordem contra Chávez e afirmando que o Brasil estava apoiando"um governo que está prestes a cair".Os manifestantes entregaram ainda dois memorandos ao embaixador Ruy Nogueira, que, imediatamente depois, os enviou a Brasília por fax. Em rápida entrevista, por telefone de Caracas, o embaixador não quis comentar o teor dos documentos. "Os manifestantes que se reuniram em frente à Embaixada eram poucos, bem menos do que nas vezes anteriores", resumiu Nogueira. Chávez embarcaria ainda nesta terça-feira à tarde para Quito, onde agendou um almoço com Lula amanhã. Os dois presidentes participarão da posse do presidente eleito do Equador, Lucio Gutiérrez.Lula e Chávez devem voltar a falar sobre o Grupo de Amigos deVenezuela, proposta brasileira para possibilitar uma saída pacífica para a crise política e institucional que enfrenta o país desde o dia 2 de dezembro, quando alguns grupos empresariais e alguns sindicatos decidiram entrar em greve. Hoje, o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Roy Chaderton, disse que as declarações de Timóteo Zambrano, um dos líderes da oposição a Chávez, e de Carlos Ortega, presidenteda Confederação de Trabalhadores de Venezuela (CTV), ontem (segunda-feira) em Washington, são uma demonstração e "ignorância e arrogância".Os dois anti-chavistas afirmaram depois de um encontro comrepresentantes do Departamento de Estado norte-americano que oBrasil e a Colômbia não devem fazer parte do Grupo de Amigos por fazerem fronteira com a Venezuela, e que os dois países"compartilham interesses geopolíticos que complicam as decisõesque precisam ser tomadas" para resolver a crise do país.ArsenalNa madrugada, efetivos da Guarda Nacional e soldados do Exército confiscaram os armamentos da Polícia Metropolitana de Caracas por ordem do Tribunal Superior de Justiça, que autorizou o Conselho de Segurança da Cidadania a inspecionar o "arsenal" dessa unidade de segurança da capital, que mantém uma posição contrária ao governo. Um dos objetivos da medida, de acordo com o governo venezuelano, é desarmar a polícia de Caracas para evitar choques com os manifestantes favoráveis ao presidente Chávez.PetróleoA paralisação da indústria petrolífera, que começou no dia 4 de dezembro do ano passado, já provocou perdas de pelo menos US$ 4 bilhões, de acordo com o governo venezuelano. O Ministério de Minas e Energia informou que essa cifra não inclui a perda de mercados e os custos de uma retomada das atividades de produção da Petróleos de Venezuela (PDVSA). Ainda de acordocom o ministério, a estatal venezuelana perdeu em dezembro 70%de sua produção, passando de 3,2 milhões de barris por dia,entre derivados de petróleo e petróleo, para apenas 200 milbarris no momento mais crítico.Atualmente, a PDVSA recuperou parte de sua produção, mas, mesmo assim, ela não passa de 800 mil barris por dia. Antes dagreve da indústria petrolífera, a Venezuela era o quinto maiorexportador de petróleo do planeta, cujos recursos representammetade da arrecadação tributária e 80% das divisas internacionais que entravam no país. A greve obrigou a Venezuela pela primeira vez em 100 anos de grande atividade da indústria petrolífera, a importar gasolina. Até hoje, foram 2,2 milhões de barris, que custaram ao Estado pelo menos US$ 105 milhões.

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