Embaixada brasileira na Venezuela quer reforçar segurança

Horas depois de uma granada de fragmentação ter sido lançada contra a residência da embaixada da Argélia em Caracas, nesta sexta-feira, o embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Nunes Pinto Nogueira, disse que considera a possibilidade de pedir um reforço de policiamento na área da residência da missão diplomática do Brasil. "A residência fica num bairro mais distante do centro de Caracas e a vigilância é feita normalmente por um guarda a cada turno", explicou o embaixador. "Acho que seria oportuno um patrulhamento da Polícia Metropolitana na área."O embaixador afirmou que, apesar de ainda não ter feito nenhum pedido oficial, observou a presença de um carro de patrulha da polícia venezuelana na frente do prédio onde funciona a embaixada. A sede da representação brasileira ocupa o sexto andar de um edifício comercial no centro de Caracas. "Na segunda-feira, membros da oposição fizeram uma manifestação relativamente grande na frente da embaixada, batendo panelas e fazendo muito barulho", disse.A hostilidade da oposição ao governo de Hugo Chávez em relação ao Brasil aumentou nas últimas semanas. Em dezembro, também sob os protestos dos opositores, o governo brasileiro enviou à Venezuela um navio com 520 mil barris de gasolina para atenuar a crise de abastecimento do produto causada pela greve geral que completou hoje 40 dias. "Até agora, a única providência que eu tinha tomado foi a de retirar os carros que ficavam no interior da residência diplomática e poderiam ser atingidos por alguma granada ou coisa parecida", prosseguiu Nogueira. "Esses veículos estão sendo guardados agora na garagem da embaixada."Desde segunda-feira, as autoridades venezuelanas já deram vários alertas de bomba contra embaixadas estrangeiras e seis sedes diplomáticas - da Argentina, Uruguai, Austrália, Alemanha, Bélgica e Canadá - foram esvaziadas na quarta-feira e revistadas por esquadrões antibomba. Ninguém ficou ferido no ataque contra a residência da embaixada argelina. A explosão foi considerada pelo governo venezuelano como uma represália contra a Argélia, que enviou técnicos para substituir funcionários em greve da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).O vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, pediu "um pronunciamento internacional contra o terrorismo de setores extremistas da oposição". "Essas ações de terror parecem formar parte de uma escalada", declarou Rangel.

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