Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Embaixada britânica diz que detenção de Miranda é 'questão operacional'

Representantes do Brasil e da Grã-Bretanha discutem solução para impasse com o caso

O Estado de S. Paulo,

19 de agosto de 2013 | 16h47

(Atualizada às 18h) Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e da Grã-Bretanha, Antonio Patriota e William Hague, conversaram na tarde desta segunda-feira, 19, por telefone, sobre a detenção do brasileiro David Miranda no Aeroporto de Heatrow, em Londres. Patriota e Hague definiram, segundo a agência Brasil, que representantes dos dois países permanecerão em contato na busca de uma solução para o impasse envolvendo o assunto.

Em comunicado, a embaixada britânica afirmou que o assunto está sob responsabilidade da polícia londrina. "Eles (ministros) concordaram que representantes dos governos brasileiro e britânico permanecerão em contato sobre o assunto. Esta continua sendo uma questão operacional da Polícia Metropolitana de Londres", diz a nota.

Na manhã desta segunda-feira, Patriota havia classificado a detenção do brasileiro como uma ação "injustificável". Miranda é companheiro do repórter do jornal inglês The Guardian Glenn Greenwald, que divulgou informações sobre o esquema de espionagem do governo americano.

Miranda foi interrogado e ficou detido por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, quando fazia uma conexão entre Berlim e o Rio de Janeiro. Após ser liberado pelos policiais da Scotland Yard, o brasileiro, de 28 anos, embarcou em outro voo na noite de domingo e desembarcou na manhã desta segunda-feira no Aeroporto Internacional do Galeão - Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

Patriota condenou os "desmandos e desvios" que vêm sendo cometidos em nome do combate ao terrorismo no mundo. Segundo o ministro, há vários exemplos desse tipo de desmando, entre eles o enquadramento de pessoas mesmo sem justificativa devido à suspeita de envolvimento delas com o terrorismo.

"Reconhecemos que é um combate legítimo, que precisa ser articulado de forma a impedir que vidas inocentes sucumbam a atos de violência gratuita, mas também precisa se inspirar nos ideais de multilateralismo, direito internacional e racionalidade", acrescentou o ministro brasileiro.

EUA. A Casa Branca afirmou, nesta segunda-feira, que autoridades americanas foram avisadas antes da prisão de Miranda, mas não pediram à Grã-Bretanha para deter e interrogar o brasileiro. "Essa é uma decisão que eles tomaram por conta própria", disse o porta-voz da Casa Branca a repórteres./ REUTERS

 

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