Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Embaixada argentina em La Paz nega ter recebido ministro de Evo

Fonte da chancelaria argentina disse mais cedo que havia concedido abrigo a ex-ministro de Governo boliviano por razões humanitárias

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 15h53
Atualizado 12 de novembro de 2019 | 12h07

BUENOS AIRES - A embaixada argentina em La Paz negou nesta segunda-feira, 11, que esteja dando abrigo ao ex-ministro de Governo da Bolívia Carlos Romero ou mesmo que ele tenha pedido asilo ao país depois de ter renunciado ao cargo em meio à crise que levou à renúncia também do agora ex-presidente Evo Morales.

"A República Argentina respeita o direito de asilo como um direito fundamental consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, a Embaixada da Argentina na Bolívia informa que o ex-ministro de Governo Carlos Romero não está asilado nesta representação diplomática", destacou a delegação diplomática em breve pronunciamento.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores da Argentina em Buenos Aires haviam afirmado que Romero estava sob guarda na embaixada em La Paz, o que não configuraria um asilo. Ele é um dos ministros que anunciaram em cascata a saída do governo após a renúncia de Evo no domingo, em meio a protestos sobre alegações de fraude nas eleições de 20 de outubro. O paradeiro de Evo é desconhecido. 

A oposição questionou Evo a legitimidade do resultado que o reelegeu. Depois da opinião da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre irregularidades nas eleições, Evo havia pedido uma nova votação.  Ele se pronunciou na manhã de domingo no hangar presidencial do aeroporto internacional de El Alto, uma cidade vizinha a La Paz. 

Para Entender

Crise na Bolívia: Guia para entender a queda de Evo Morales

Após 13 anos no poder, presidente não resiste a pressões das ruas e das Forças Armadas e abandona cargo; veja como isso aconteceu

A aparição posterior, à tarde, já com o anúncio da renúncia, foi em transmissão televisiva de um lugar indeterminado, depois que a oposição e até mesmo a polícia e o Exército o exortaram a deixar a presidência.

A decisão não foi suficiente para aplacar a revolta social e os ataques a funcionários e apoiadores do governo. 

As Forças Armadas exigiram a renúncia de Evo, enquanto as forças de segurança produziram revoltas em diferentes partes do país apoiadas nas ruas por grupos civis oposicionistas.

Opositor na Embaixada do Brasil

Em 2012, o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, opositor de Evo, refugiou-se por 15 meses na Embaixada do Brasil em La Paz. Então senador pela coalizão Plano de Progresso para a Bolívia - Convergência Nacional, partido de extrema direita, Molina era acusado pelo governo Evo de cometer irregularidades como dano econômico ao Estado, estimado na época em US$ 1,7 milhão, e respondia a mais de 20 processos. 

Molina conseguiu asilo no Brasil no ano seguinte após alegar ser vítima de perseguição política. Sua fuga causou dissabores ao governo brasileiro e levou à demissão do então chanceler, Antonio Patriota. Ele viveu na capital federal até 2017, quando morreu em um acidente aéreo em Luziânia (GO)/ AFP 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.