Adalberto Roque/AFP/Estadão Conteúdo
Adalberto Roque/AFP/Estadão Conteúdo

Embaixada de Cuba em Paris é alvo de ataque com coquetel molotov

Caso, que aconteceu na noite de segunda-feira, 26, foi classificado como 'ato terrorista' por autoridades cubanas, que responsabilizam os EUA por 'campanhas contínuas contra o país'

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2021 | 13h06

HAVANA - A embaixada de Cuba em Paris foi alvo de um ataque com coquetel Molotov nessa segunda-feira, 26. Autoridades denunciaram o ato como um "ataque terrorista" e responsabilizaram os Estados Unidos pela agressão.

O corpo de bombeiros da capital francesa informou que dois artefatos incendiários foram lançados contra a sede diplomática, que sofreu danos menores. A segurança do prédio foi reforçada por autoridades francesas nesta terça-feira, 27.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, denunciou o ataque. "Responsabilizo o governo dos Estados Unidos por suas campanhas contínuas contra o nosso país, que estimulam esse tipo de conduta, e pelos chamados à violência, com impunidade, a partir do seu território", escreveu no Twitter.

Uma porta-voz do ministério das Relações Exteriores francês disse que o governo de seu país "condena o ataque" e relatou "alguns danos materiais" e a implementação de "medidas para reforçar o sistema de segurança em torno da embaixada".

Segundo a chancelaria de Cuba, o ataque ocorreu às 23h45, com três coquetéis molotov, dois dos quais atingiram a parte externa da embaixada, e um, a interna, causando um incêndio controlado por funcionários.

Consultado pela France-Presse, o Ministério Público de Paris indicou na manhã desta terça-feira que havia aberto uma investigação por "degradação por substância explosiva ou dispositivo incendiário".

Nos últimos dias, foram registradas manifestações a favor e contra o governo cubano em várias capitais, duas semanas após protestos inéditos contra o governo na ilha.

Cerca de 20 países, entre eles o Brasil, uniram-se hoje ao secretario de Estado americano, Antony Blinken, em um chamado ao governo cubano para que "respeite os direitos e liberdades garantidos por lei ao povo cubano e liberte os detidos" durante as manifestações.

"As declarações do secretário de Estado dos EUA baseiam-se no apoio de um punhado de países que foram pressionados a acatar seus ditames", afirmou o chanceler cubano em outro tuíte. 

"Cuba conta com o apoio de 184 nações que exigem o fim do bloqueio", apontou Rodríguez, que pediu ao governo dos Estados Unidos que apresente provas “que demonstrem essas acusações caluniosas".

Díaz-Canel sobe o tom contra os EUA

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta terça-feira, 27, que os EUA buscam condenar seu governo no Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), após conseguir por "imposição" que cerca de 20 países se juntassem na exigência de respeito aos direitos humanos, enquanto alertou sobre agressões às suas embaixadas.

"O próximo, vergonhoso e anunciado passo do macabro plano contra #Cuba é a imposição do Conselho Permanente da OEA", disse o presidente Miguel Díaz-Canel no Twitter. Nesse sentido, ele acrescentou que "o desacreditado ministério das colônias yankees (a OEA) é convocado a desempenhar seu triste papel de lacaio".

Díaz-Canel também questionou as manifestações realizadas nos últimos dias contra seu governo em frente às embaixadas cubanas em várias capitais, e se referiu ironicamente ao acontecimento na França como uma manifestação pacífica.

"Os 'manifestantes pacíficos' contra a #RevoluçãoCubana chegaram até #Paris com o incentivo das campanhas anticubanas geradas em #Washington? É o retorno do terrorismo contra as embaixadas cubanas?", questionou Díaz-Canel.

AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.