Embaixada do Catar no Paraguai deverá vigiar terroristas

A ONU recebeu, nesta semana, um comunicado oficial informando que os governos do Catar e do Paraguai acertaram acordo para a criação da Embaixada do país árabe em Assunção. O objetivo da embaixada, como de qualquer outra no mundo, seria fortalecer as relações políticas entre os dois países. Para especialistas e para empresas de consultoria, porém, o motivo da iniciativa é outro: servir de informante para os Estados Unidos sobre possíveis células terroristas no Cone Sul, mais precisamente, na Tríplice Fronteira.O Catar é um dos países árabes mais próximos, politicamente, dos Estados Unidos. A base militar norte-americana em Doha reúne os principais comandantes das Forças Armadas de Washington para o Oriente Médio. Depois que a Arábia Saudita anunciou que não permitirá que a Casa Branca use seu território para atacar o Iraque, cresce a expectativa de que a base no Catar seja a escolhida para coordenar um ataque a Bagdá.A notícia de que o país árabe abriria uma Embaixada em Assunção despertou a suspeita de muitos, inclusive no próprio Catar, sobre os reais objetivos da iniciativa. "O acordo entre os dois países recebeu atenção especial na mídia do Catar, já que foi algo inusitado", afirmou um jornalista da rede Al Jazira, que prefere não se identificar. Segundo ele, os dois países praticamente não têm interesses comerciais em comum e o número de pessoas viajando entre o Catar e o Paraguai não justificaria uma embaixada.Para a consultoria Stratfor, o motivo da iniciativa está relacionado com a tentativa de identificar possíveis células terroristas na região, principalmente em Cuidad Del Este. Segundo a empresa, agentes da CIA americana e do Mossad (agência israelense) estiveram na região da Tríplice Fronteira depois dos ataques terroristas nos Estados Unidos, mas pouco resultado foi obtido. Já a presença de informantes árabes poderia facilitar o trabalho. A Stratfor acredita que os representante do Catar poderiam ter mais chances de se inserir na comunidade árabe da região e, então, passar informações para a Casa Branca "A presença de um país árabe pró-americano fortaleceria a capacidade da inteligência norte-americana no Cone Sul", pondera a Stratfor.

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